Capítulo 5
Por que incluir cooperativas na gestão municipal de resíduos?
O capítulo mostra, com dados e exemplos, que incluir cooperativas na gestão de resíduos é uma das formas mais eficientes de transformar o gasto com “lixo” em desenvolvimento local, saúde pública e redução de emissões. Ao integrar cooperativas como parte da infraestrutura do serviço, o município desvia materiais do aterro, reduz custos futuros, gera trabalho e renda e ainda avança nas metas nacionais de clima, saneamento e economia circular.
5.1 Vantagens econômicas para o município: custos evitados, empregos, receitas
O modelo linear: quanto custa “sumir com o lixo”
Estudos internacionais e nacionais convergem: as etapas que mais pesam no orçamento municipal de resíduos são coleta/transporte e disposição final (aterro). Dados do Banco Mundial indicam que, em países em desenvolvimento, os custos típicos são da ordem de US$ 20–200/t para coleta+transporte e US$ 10–100/t para disposição em aterro. No Brasil, análises do SNIS e Abrelpe reforçam que a coleta convencional responde pela maior parte das despesas municipais com resíduos, com custos que variam conforme distância até o aterro, tipo de contrato e porte do município.
Na prática, o modelo linear funciona assim: a prefeitura paga para fazer sumir o lixo
- tudo junto, orgânico e reciclável — gerando uma fatura recorrente de coleta + disposição, sem retorno econômico direto. O dinheiro sai do orçamento e vira: gasto com frete e diesel, tarifa de aterro (muitas vezes em outro município), lucros de empresas prestadoras fora do território.
Coleta seletiva custa mais por tonelada — mas transforma a conta do sistema
A pesquisa Ciclosoft 2023 (CEMPRE) calculou, para municípios brasileiros com coleta seletiva porta a porta estruturada:
- Custo médio da coleta seletiva: R$ 739,70/t coletada seletivamente
- Custo médio anual por habitante atendido: R$ 9,94/hab.ano, para cerca de 13 kg/ hab.ano coletados seletivamente
Um estudo de dinâmica de sistemas aplicado à cidade de Vitória (ES) mostra que o custo unitário da coleta seletiva é cerca de 3 vezes maior do que o da coleta convencional, quando se olha só a planilha de custos diretos. Porém, cenários com alta taxa de coleta seletiva, combinados com educação ambiental e redução da geração per capita, levam
a custos totais menores do sistema coleta+aterro a médio prazo, pois: aumenta a reciclagem, reduz o volume aterrado e estende a vida útil do aterro.
RESUMO: SIM, A COLETA SELETIVA CUSTA MAIS POR TONELADA, MAS:
- Esse custo recai sobre uma fração bem menor do fluxo (apenas os recicláveis secos).
- Quando se considera todo o sistema (incluindo economia de aterro, redução da geração e ganhos produtivos), o custo total tende a cair.
Economia direta com desvio de aterro
Há literatura robusta mostrando economia para o setor público quando resíduos recicláveis são desviados do aterro por cooperativas:
- Rio de Janeiro — 33 cooperativas (modelo insumo-produto): Estudo de Ribeiro et al. estimou, para 2008, que a atuação de 33 cooperativas na Região Metropolitanado Rio gerou cerca de 1.500 t/mês de materiais reciclados, economia de aproximadamente R$ 34 milhões para a economia fluminense, considerando valor dos materiais, recursos naturais poupados e efeitos indiretos.
- Brasil — impacto macroeconômico (análise insumo-produto nacional): Delmont (2007) estimou, para a economia brasileira em 2004, que a reciclagem equivalente a R$ 30,682 bilhões em materiais gerou economia direta de R$ 20,222 bilhões e, incluindo impactos indiretos, chegou a R$ 87,277 bilhões em matérias-primas virgens poupadas.
- ANCAT/WIEGO: Levantamento citado em nota técnica da WIEGO sobre responsabilidade estendida (EPR) mostra que cooperativas brasileiras desviaram 168.101 t de recicláveis (2017–2019), gerando economia de mais de US$ 4 milhões em custos de disposição para municípios, e serviços adicionais avaliados em US$ 20,3 milhões (coleta, triagem, limpeza urbana).
- Planares (cenário nacional): Estudos para o Plano Nacional de Resíduos Sólidos indicam que, se o Brasil continuar no modelo atual, os custos totais (diretos + externalidades) da gestão de resíduos podem chegar a R$ 137 bilhões/ano em 2040. Se as metas do Planares forem cumpridas (encerramento de lixões, aumento da reciclagem para 50%), os custos totais caem para cerca de R$ 22,5 bilhões/ano — redução superior a 80%.
MENSAGEM CLARA: Aumentar a reciclagem e reduzir aterro é política de economia de recursos públicos.
Receita com venda de materiais recicláveis
Dados de mercado e estudos confirmam a ordem de grandeza:
- Anuário da Reciclagem 2022: Alumínio a R$ 4,77/kg (R$ 770/t), chegando a R$ 5,94/kg no Sudeste; plásticos a R$ 1,73/kg em média (R$ 1.730/t).
- Estação Preço de Fábrica (Green Mining, SP, 2025–26): PET a R$ 3,00–4,20/kg (R$ 000–4.200/t); papelão a R$ 0,65–0,85/kg (R$ 650–850/t), Embalagens Longa Vida a R$ 1,00/kg (R$ 1.000/ton).
Se a cooperativa estiver organizada, com boa triagem e venda direta (evitando atravessadores), não é irreal que a combinação de frações de maior valor (metais, PET, plásticos selecionados) produza receitas da ordem de R$ 2.000–4.000/t de material comercializado.
Do ponto de vista da prefeitura, essa receita não entra diretamente no caixa municipal, mas:
- Reduz a pressão por subsídio (parte do custo da operação é coberta pela venda dos materiais).
- Gera base tributária (ISS de serviços logísticos, ICMS/ISS indiretos em compras locais feitas pelos catadores).
Geração de renda local e efeito multiplicador
Cada real pago à cooperativa tende a ficar na economia local, multiplicando-se em consumo básico. Estudos mostram, de forma consistente:
- Maioria dos catadores vivia abaixo ou em torno de 1 salário mínimo antes da organização em cooperativas.
- Com formalização e apoio técnico, renda pode triplicar ou quadruplicar, especialmente quando há contrato com município + venda estruturada: Cooperpires (Ribeiro Pires-SP), ReciclaTB (Telêmaco Borba-PR) e Acamarango (Reserva-PR) registram renda subindo de R$ 1.200 para cerca de R$ 4.000/mês por cooperado, com profissionalização da gestão. Cooperativa Recicle a Vida: renda saindo de menos de 1 SM para R$ 1.800/mês, com plano de saúde, 3 refeições e benefícios trabalhistas (80 cooperados, 68 mulheres).
Pesquisas de perfil socioeconômico mostram que os gastos das famílias de catadores se concentram em: alimentação, farmácia e saúde, aluguel/habitação, transporte, escola/ creche, pequenos serviços locais. Quase nenhum centavo vai para aplicações financeiras complexas ou para o exterior. Em termos de economia local:
- O dinheiro volta rapidamente para o comércio do
- Essa demanda gera arrecadação de ISS e
- Fortalece serviços locais (mercado, farmácia, padaria, transporte escolar, construção civil de pequena escala).
A literatura de cooperativismo mostra esse padrão: cooperativas mantém a poupança local dentro do território, com efeito multiplicador relevante. Cada R$ 1.000 pagos pela prefeitura à cooperativa dificilmente saem da cidade — circulam entre comércios, serviços e moradias locais, enquanto pagamentos a operadores privados externos frequentemente vazam do território (lucros distribuídos a acionistas, sedes em outras cidades/estados).
Arrecadação de impostos e fortalecimento do tecido produtivo
Ao formalizar cooperativas como prestadoras de serviço, o município:
- Amplia a base de contribuintes (INSS dos cooperados, ISS de serviços vinculados, ICMS sobre compras locais).
- Contribui para a formalização de micro-negócios associados (oficinas, transporte, manutenção, EPIs, alimentação).
- Reduz custos sociais indiretos associados a extrema pobreza, desemprego e informalidade (saúde, assistência social, violência urbana).
O IPEA enfatiza que o apoio público à organização dos catadores reduz pobreza, aumenta inclusão social e fortalece a economia local.
Externalidades evitadas: saúde, clima e qualidade urbana
Do ponto de vista econômico amplo, não se pode ignorar:
- Custos em saúde associados a lixões, vetores de doença, queimadas de lixo, contaminação de água e solo.
- Emissões de GEE (principalmente metano dos aterros) e seus impactos econômicos
- Degradação urbana: enchentes agravadas por lixo nas galerias, baixa atratividade de áreas degradadas.
Alguns resultados relevantes:
- Cooperpires (Ribeiro Pires-SP): Atuação gera reduções significativas de emissões de GEE e economia de energia, abrindo até possibilidade de acesso a mercados de crédito de carbono.
- Trabalhos recentes sobre catadores e clima em Minas Gerais: Destacam que o serviço de coleta e triagem reduz queimadas de lixo, lixões irregulares e emissões associadas, embora esses benefícios raramente sejam remunerados.
- Estudos internacionais e nacionais: Convergem que reciclar é mais barato para a sociedade do que aterrar, quando se somam custos ambientais e de saúde às contas fiscais diretas.
ARGUMENTO ECONÔMICO FINAL: Pagar cooperativas para reciclar hoje é mais barato do que pagar remediação ambiental, obras de macrodrenagem e internações hospitalares amanhã.
5.2 Vantagens sociais e de saúde pública
A inclusão de cooperativas de catadores no sistema formal de gestão de resíduos não é apenas uma medida ambiental ou econômica — é, sobretudo, uma política pública de inclusão social e de redução de vulnerabilidades. Catadores, em sua maioria, são pessoas em situação de pobreza, com baixa escolaridade, sem acesso ao mercado de trabalho formal e, frequentemente, mulheres negras e pardas chefes de família.
Geração de trabalho e renda digna
Dados mostram que cooperativas estruturadas, quando contratadas e apoiadas, conseguem triplicar ou quadruplicar a renda dos catadores:
- Cooperpires (Ribeiro Pires-SP), ReciclaTB (Telêmaco Borba-PR), Recicle a Vida (Brasília) — casos documentados de renda saindo de menos de 1 salário mínimo para R$ 800–4.000/mês, com plano de saúde, refeições e benefícios trabalhistas.
- Isso substitui gastos assistenciais (bolsas, cestas básicas) por renda de trabalho digno, reduzindo dependência de programas emergenciais e fortalecendo autonomia econômica.
Redução de custos em saúde pública
Lixões e descarte irregular de resíduos são fontes de:
- Vetores de doenças: ratos, mosquitos,
- Contaminação de água e solo: lixiviado de aterros mal operados, descarte em corpos hírícos.
- Queimadas de lixo: emissão de dioxinas e furanos, material
Organizar a coleta seletiva com cooperativas reduz a presença de resíduos em locais inadequados, diminuindo exposição da população a esses riscos. Embora poucos estudos façam essa conta fiscal de forma completa, a literatura aponta que prevenir é mais barato do que remediar: municípios que organizam a gestão de resíduos tendem a ter menores custos com saúde pública associados a saneamento e doenças transmissíveis.
Dignidade e reconhecimento social
A formalização do trabalho dos catadores via contratos públicos:
- Tira catadores de lixões e ruas, oferecendo condições de trabalho mais seguras (centrais de triagem cobertas, EPIs, horários definidos).
- Reconhece o catador como prestador de serviço essencial, não como “favor” ou assistência social.
- Fortalece autoestima, organização coletiva e
Relatórios do IPEA e do MNCR enfatizam que o apoio público à organização dos catadores reduz pobreza, aumenta inclusão social e fortalece a economia local.
5.3 Vantagens ambientais e climáticas: metano, CO₂, uso de recursos
Desvio de aterro e redução de emissões de metano
Resíduos recicláveis (plásticos, papel, metais, vidro), quando enviados a aterros, ocupam espaço, geram lixiviado e, em alguns casos, contribuem para emissões de metano (CH₄)
- um gás de efeito estufa 28–34 vezes mais potente que o CO₂ no horizonte de 100 Desviar esses materiais do aterro:
- Estende a vida útil do aterro, postergando necessidade de novos investimentos em disposição final.
- Reduz emissões de GEE, especialmente quando combinado com compostagem de orgânicos.
Estudo de caso em Ribeiro Pires (Cooperpires) quantificou que a atuação da cooperativa gera reduções significativas de emissões de GEE e economia de energia, abrindo até possibilidade de acesso a mercados de crédito de carbono.
Economia de recursos naturais e energia
Reciclar poupa extração de matérias-primas virgens e reduz consumo de energia:
- Alumínio reciclado consome cerca de 5% da energia necessária para produzir alumínio primário (a partir da bauxita).
- Papel reciclado economiza água, árvores e energia em relação à produção de celulose virgem.
- Plásticos reciclados reduzem demanda por petróleo e gás natural.
Análise insumo-produto nacional (Delmont, 2007) estimou que a reciclagem no Brasil em 2004 poupou R$ 87,277 bilhões em matérias-primas virgens (somando impactos diretos e indiretos).
Alinhamento com metas climáticas nacionais e internacionais
O IPCC (AR6) destaca eficiência de materiais e circularidade como pilares para aproximar setores intensivos em materiais das metas climáticas. Entre as medidas: usar menos material para prestar o mesmo serviço, estender vida útil de produtos, aumentar reuso e reciclagem de alta qualidade.
No Brasil, o Planares e a Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC) estabelecem metas de aumento de reciclagem, encerramento de lixões e inclusão de catadores.
Municípios que organizam coleta seletiva com cooperativas contribuem diretamente para essas metas nacionais e podem acessar financiamento federal condicionado a planos municipais de resíduos.
5.4 Riscos de não incluir: passivos, lixões, desperdício de valor
Passivo ambiental crescente
Municípios que não organizam coleta seletiva tendem a:
- Enviar 100% dos RSU para aterros (ou pior, lixões), acelerando esgotamento da capacidade de disposição final.
- Gerar passivos ambientais: lixões irregulares, descarte em corpos hírícos, queimadas de lixo.
- Enfrentar custos crescentes de disposição final, conforme aterros se distanciam dos centros urbanos.
Perda de oportunidades econômicas
Sem coleta seletiva estruturada, o município:
- Aterra materiais com valor econômico (R$ 2.000–4.000/t de secos triados, conforme dados de mercado).
- Perde base tributária local (ISS, ICMS, INSS de catadores formalizados).
- Deixa de gerar empregos locais, mantendo catadores na informalidade e
Descumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)
A Lei 12.305/2010 estabelece que municípios devem:
- Implantar coleta
- Incluir catadores na gestão de resíduos.
- Elaborar Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS).
Municípios que não cumprem a PNRS perdem acesso a recursos federais para empreendimentos e serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos. Além disso, ficam expostos a ações do Ministério Público por descumprimento de lei federal.
Vulnerabilidade social perpetuada
Sem inclusão formal, catadores:
- Continuam trabalhando em condições precárias (ruas, lixões, sem EPI, sem previdência).
- Tém renda instável e baixa (atravessadores pagam pouco).
- Não acessam direitos trabalhistas, previdenários ou de saúde
Dados do IBGE (2023) mostram que 73,7% dos municípios tém catadores informais atuando, mas apenas 27% tém cooperativas organizadas participando oficialmente da coleta seletiva. Isso significa que a infraestrutura humana da circularidade já existe, mas opera de forma invisível, instável e injusta.
Quadro-síntese comparativo:
Dimensão |
Modelo A — “Coletar e aterrar tudo” | Modelo B — “Coleta seletiva + cooperativa” |
Custo direto por tonelada | Menor custo unitário na planilha (coleta convencional + disposição em aterro), com foco em tonelada transportada. | Maior custo unitário aparente (coleta seletiva pode chegar a ~3 vezes o valor da convencional), pois envolve outras etapas específicas, mais paradas e triagem organizada. |
Volume enviado a aterro | 100% dos resíduos sólidos urbanos seguem para aterro ou, em cenários piores, lições e descartes irregulares, independentemente de terem valor econômico. | Volume alterado é reduzido, pois fração seca reciclável é desviada para triagem e reciclagem; em estratégias mais avançadas, parte dos orgânicos também sái da rota do aterro. |
Custo total do sistema no longo prazo | Tendência de crescimento contínuo do custo global, com necessidade de novos aterros, transporte para distâncias maiores e aumento de passivos ambientais e legais. | Pode cair ao longo do tempo, combinando metas de reciclagem, redução da geração na fonte, educação ambiental e extensão da vida útil do aterro existente. |
Receita com reciclagem | Quase nula do ponto de vista municipal: materiais de valor são enterrados ou capturados de forma dispersa, sem estrutura pública para escala ou esse valor. | Possibilidade real de gerar receitas da ordem de R$ 2.000–4.000 por tonelada de secos triados (combinações de metais, PET, papéis, plásticos selecionados), via cooperativas estruturadas. |
Custo total do sistema no longo prazo | Tendência de crescimento contínuo do custo global, com necessidade de novos aterros, transporte para distâncias maiores e aumento de passivos ambientais e legais. | Pode cair ao longo do tempo, combinando metas de reciclagem, redução da geração na fonte, educação ambiental e extensão da vida útil do aterro existente. |
Geração de renda do território | Baixa geração de renda no território; parte relevante do gasto público vira lucro de operadores externos ao município, com pouca circulação local. | Alta geração de renda local, distribuída entre catadores organizados em cooperativas, com efeito direto sobre economia local, alimentação, transporte, saúde, aluguel, pequenos serviços. |
Efeito multiplicador na economia local | Efeito multiplicador pequeno: recursos pagos pelo serviço tendem a “vazar” para cidades/estados (sede de empresas, acionistas, externos). | Efeito multiplicador elevado: cada real pago à cooperativa circula em mercados locais (alimentação, saúde, aluguel, pequenos serviços), fortalecendo o comércio e a base tributária municipal. |
Arrecadação de impostos | Arrecadação limitada, concentrada em ISS e tributos vinculados a poucos grandes contratos, muitas vezes com sedes fora do município. | Base tributária ampliada: contribuições previdenciárias de cooperados formalizados, ISS/ICMS sobre compras e serviços locais, formalização econômica no território. |
Externalidades ambientais | Altas: emissões de metano em aterros, manutenção de lixões irregulares, contaminação de solo e água, queimadas de lixo para descartes irregulares, aumento de custos de saúde pública. | Reduzidas: desvio de recicláveis do aterro, melhor controle de rejeitos, maior integração com logística reversa e potencial de acesso a mercados de crédito de carbono, alinhamento com estratégias nacionais de economia circular e clima. |
Coerência com PNRS e marcos legais | Baixa: baixo índice de reciclagem, ausência de inclusão de catadores, risco de descumprimento de metas e perda de acesso a recursos federais. | Alta: inclusão sociocoperativa de catadores, metas de reciclagem, uso de instrumentos como PSA e contratos com cooperativas, alinhamento com estratégias nacionais de economia circular e clima. |
Tabela 5.4 — Quadro-síntese comparativo: Modelo A vs. Modelo B
Mesmo que o R$/t da coleta seletiva pareça mais alto, o custo total para a cidade — incluindo aterro, saúde, clima e desenvolvimento local — é menor quando se organiza a coleta seletiva com cooperativas contratadas. Não se trata de assistencialismo: trata-se de boa gestão do dinheiro público, que transforma um gasto inevitável (lixo) em investimento em economia circular, geração de renda local e redução de passivos ambientais e fiscais.