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Pesquisadores calculam o benefício ambiental do plástico reciclado

Já estão em fase de conclusão os cálculos feitos pelos pesquisadores da Franklin Associates sobre as vantagens da fabricação de produtos a partir de PET, PEAD (polietileno de alta densidade) e PP (polipropileno) reciclados em vez de plásticos virgens. Os primeiros resultados indicam, por exemplo, que o uso de PET reciclado pode gerar metade das emissões de gases de efeito estufa (GEE) em comparação com o plástico virgem. As reduções podem ser ainda maiores para as poliolefinas recicladas.

Criada em 1975, a Franklin Associates (hoje uma divisão do Eastern Research Group) é uma empresa norte-americana que presta consultoria na avaliação do ciclo de vida e gerenciamento de resíduos sólidos a órgãos do governo e companhias de diversos setores. Os estudos sobre os plásticos estão sendo conduzidos a pedido da Associação de Recicladores de Plásticos (APR) dos Estados Unidos. Segundo Steve Alexander, presidente da APR, declarou na edição de 22 de agosto da Plastics Recycling Update, os dados obtidos poderão ser empregados no cálculo dos resultados das metas de sustentabilidade de empresas que usam plásticos reciclados. Alexander considera a pesquisa de inventário de ciclo de vida “uma ferramenta fundamental para capitalizar e divulgar” o valor desses materiais: “Precisamos dessa informação hoje mais do que nunca, se quisermos continuar a crescer e desenvolver o mercado de plásticos reciclados.”

Alguns números

No dia 21 de agosto, a APR apresentou uma webconferência para divulgar os dados preliminares da pesquisa. Iniciado há cerca de 18 meses, o projeto envolve a atualização e ampliação de um estudo sobre PET e PEAD feito em 2010 pela Franklin Associates, incluindo a análise de PP reciclado pela primeira vez.

O levantamento investigou as emissões de gases de efeito estufa no ciclo completo, abrangendo coleta, transporte, classificação e processamento em flocos ou pellets. A Franklin Associates não analisou os efeitos associados à fabricação de produtos acabados em função da grande variedade de artigos feitos de plásticos e, portanto, de seus diversificados impactos ambientais.

Na webconferência, Bev Sauer, gerente sênior de projetos e analista de ciclo de vida da Franklin Associates, compartilhou as primeiras conclusões do estudo, destacando que ainda estão sujeitas a alterações após a consolidação de todos os dados. Segundo as estimativas atuais, se um fabricante de embalagens de alimentos e bebidas trocar o plástico virgem por pellets de PET reciclado em “estado solidificado”, suas emissões de gases de efeito estufa serão reduzidas em cerca de 50% (em “estado solidificado” significa que o plástico foi descontaminado para contato com alimentos e sua viscosidade intrínseca foi ampliada). “Para o PEAD e o PP, a redução parece ser ainda maior, na faixa de 65% e 70%”, informou a pesquisadora.

De acordo com Sauer, o aspecto mais relevante da análise foi coletar dados de recicladores de plásticos. Sua empresa reuniu informações detalhadas de sete recicladores de PET, cinco de PEAD e três de PP. O trabalho revelou que a maioria dos gases de efeito estufa (GEE) gerados dentro da cadeia de reciclagem é resultado da operação dos recicladores. No caso do PET em contato com alimentos, quase 90% do GEE gerado estava associado às operações de reaproveitamento. Para o PEAD e o pellet PP, 70% a 75% vêm das etapas de processamento. Sauer explicou que o percentual maior, no caso do PET, se deve aos impactos ambientais adicionais da descontaminação.

Próxima etapas

A equipe de pesquisa está concluindo a coleta de informações junto aos recicladores, o que ainda pode alterar alguns números. Depois de finalizar os cálculos dos plásticos reciclados, os dados serão comparados aos dos plásticos virgens.

A Franklin Associates adicionou novas categorias ao relatório de 2018. O documento de 2010 cobria o uso de energia, a geração de resíduos sólidos, o consumo de água, as emissões de GEE e outras emissões atmosféricas e hídricas. A edição de 2018 irá aprofundar a análise de como as emissões de ar e água afetam a acidificação, a eutrofização (excesso de nutrientes na água que pode levar ao esgotamento de oxigênio), a poluição e a redução do ozônio.

Após a conclusão, o estudo será enviado para o Banco de Dados de Inventários de Ciclo de Vida do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Ele será apresentado no chamado "unit process level" para que as empresas ou órgãos interessados possam adaptar os números à sua realidade particular na obtenção de resultados mais precisos.

Durante a conferência, Sauer comentou ainda que a Franklin Associates está trabalhando na atualização de um estudo sobre os impactos ambientais do plástico virgem para o Conselho Americano de Química (ACC) que deverá ser finalizado até o final do ano.

Para saber mais:http://www.fal.com/