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Japan Airlines faz parceria para transformar roupas em combustível

A Japan Airlines está trabalhando em associação com a empresa de reciclagem Japan Environmental Planning (Jeplan) e o Green Earth Institute para desenvolver um processo de transformação de roupas usadas em biocombustível para aviões a partir de tecnologias de fermentação. A expectativa da companhia aérea é que esse projeto inédito de reaproveitamento tenha um impacto significativo no Japão, país que descarta 1,97 milhão de toneladas de têxteis anualmente - volume suficiente para lotar quase três estádios de beisebol.

O empresário Michihiko Iwamoto, que fundou a Jeplan em 2007, passou cinco anos desenvolvendo uma forma de criar bioetanol a partir camisetas e calças jeans, usando fermentação para quebrar os açúcares contidos no algodão em alcoóis. “Apesar dos avanços tecnológicos, a fibra têxtil continua sendo queimada ou enviada para aterros. Só no Japão são quase 2 milhões de toneladas por ano que poderiam ser reaproveitadas”, destaca Iwamoto ao comentar um dos assuntos que mais atrai seu interesse: a reciclagem. “Quero incentivar a formação de uma sociedade orientada para a reciclagem.”

A empresa vem pesquisando também o reaproveitamento de outros materiais. Um exemplo é a fibra de poliéster. Segundo dados da Jeplan, essa fibra é usada na fabricação de cerca de 60% do vestuário produzido hoje e grande parte de sua matéria-prima é derivada do petróleo. A reciclagem começa com a dissolução da fibra de poliéster que é purificada e transformada em uma resina de poliéster utilizada novamente como matéria-prima para fabricar fibra de poliéster.

A Jeplan está agora construindo uma planta para produzir combustível aeronáutico experimental em uma de suas unidades fabris. Embora o algodão produza apenas uma pequena quantidade de combustível, os benefícios de desviar roupas usadas dos aterros são bastante promissores. Estima-se que 100 toneladas de algodão gerem cerca de 10 quilolitros de combustível. A reciclagem de todo o algodão usado do Japão poderia produzir 70.000 quilolitros de combustível por ano, o que representa menos de 1% do consumo do país. Vale notar, porém, que a tecnologia que está no radar da Jeplan também poderá ser aplicada para outros tipos de resíduos, incluindo papel. Ou seja, o vestuário pode ser apenas o começo.

A Jeplan já está trabalhando com 12 varejistas - como as gigantes Aeon e Muji - para coletar itens em mais de 1.000 lojas em todo o país. A empresa planeja iniciar voos de teste usando uma mistura de combustível convencional e derivado de algodão em 2020, antes de estabelecer uma fábrica comercial até 2030.

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