CEMPRE INFORMA MAIS

Cempre organiza discussão de estratégias com a Prefeitura de São Paulo

Foto: Durante o workshop, o secretário Gilberto Natali destacou a importância da sinergia na busca de soluções para as questões ambientais.

Compartilhar conhecimentos e experiências para elaborar projetos e ações que impulsionem as metas ambientais da Prefeitura. Foi com esse objetivo que o Cempre e a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo promoveram o Workshop “A São Paulo Sustentável que Queremos”, em fevereiro, reunindo ambientalistas, empresas e governo.

Na abertura do encontro, o secretário adjunto de Meio Ambiente Fernando von Zuben apresentou dados e fatos para nortear as discussões realizadas em grupos pelos participantes. Entre os tópicos discutidos, estava a preocupação da atual gestão em ampliar a coleta seletiva por meio de parcerias e seguir a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A importância desse tema ocorre não apenas em função da geração crescente de resíduos, mas principalmente pela necessidade de encontrar formas de fazer da coleta seletiva uma alternativa de geração de emprego e renda.

O secretário Gilberto Natalini destacou, no encerramento do evento, o valor dessa somatória de saberes para a retomada de ações de combate ao passivo ambiental da capital e a busca de uma vida melhor em uma cidade mais sustentável. “Se formos organizar nossas tropas nesse sentido, teremos uma modificação rápida em alguns anos”, reiterou. O presidente do Cempre, Victor Bicca, comentou, na entrevista a seguir, o mérito de iniciativas desse tipo que unem diferentes stakeholders na análise e desenvolvimento de ações efetivas de ampliação da coleta seletiva e da reciclagem com inclusão social.

Qual é a importância de uma ação como essa da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo?

A aproximação do setor empresarial com os governos locais é essencial para a construção de parcerias de interesse da população e que impulsionem a cadeia da reciclagem. Conseguimos evoluir bastante nas discussões, em âmbito federal, da Política Nacional de Resíduos Sólidos e do Acordo Setorial de Embalagens, por exemplo.

Chegamos, agora, a um segundo momento que é a discussão com os estados e municípios, onde, de fato, está a responsabilidade pela gestão dos resíduos e a coleta seletiva.  Há um processo grande e necessário de alinhamento entre a Política Nacional e as Políticas Estaduais e Municipais, do qual o Cempre tem procurado participar. Ou seja, não faz sentido termos uma legislação federal que prevê uma série de obrigações e ações e, principalmente, cria o princípio da responsabilidade compartilhada pela gestão dos resíduos e ocorrerem discussões estaduais ou municipais que caminhem em direções diferentes.

Outro aspecto relevante dessa iniciativa é que São Paulo é uma cidade que, por si só, representa grande parte do país. É uma metrópole emblemática e criadora de tendências. Portanto, o que efetivamente der certo em São Paulo tem grandes chances também de dar certo em outros municípios brasileiros.

Quais foram as questões discutidas?

No caso específico de resíduos sólidos, a capital paulista tem um desafio enorme, uma vez que menos de 3% da cidade tem coleta seletiva. Com a nova gestão, temos discutido oportunidades e formas para lidar com esse desafio. Por isso, estivemos presentes nesse workshop que tratou de temas prioritários da agenda de meio ambiente do município. Esperamos, assim, contribuir para que a atual administração possa buscar soluções sustentáveis para as diferentes questões a enfrentar. O ideal será desenvolvermos um modelo local, integrado com a Política Nacional e o Acordo Setorial de Embalagens, que possa ser replicável em outros municípios paulistas e até mesmo em outros estados, evitando os choques de legislações e princípios que muitas vezes ocorrem.

Quais deverão ser os próximos passos?

A ideia é que a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente faça o inventário de todas as sugestões discutidas e passe a trabalhar, com os players presentes no workshop, na implantação das alternativas apresentadas. No caso específico da gestão de resíduos sólidos, o Cempre, o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis e a EMLURB - Empresa Municipal de Limpeza Urbana se colocaram à disposição da Secretaria para o desenvolvimento de um trabalho integrado que transforme nossas propostas em realidade. Algumas delas dizem respeito, por exemplo, à regularização das cooperativas e ao seu cadastramento para que façam parte do sistema de triagem do município.

Qual é a vantagem dessa união de esforços?

Vale destacar que esse é um modelo novo e muito interessante, no qual o poder público municipal convoca a sociedade e as empresas para discutir a situação de um determinado segmento - no caso, o de meio ambiente - e encontrar saídas comuns e eficientes para lidar com os problemas da cidade. Hoje, sabemos que o poder público sozinho não pode resolver todas as questões e precisamos nos organizar e compartilhar experiências que levem a respostas inovadoras e consensuais. Então, é importante que não apenas o setor empresarial como a sociedade civil organizada, as ongs e outras entidades participem desse trabalho conjunto. Sem essa integração e essa sinergia, será muito mais difícil conseguirmos boas soluções que agradem a maior parte dos envolvidos e sejam efetivas na sua implementação, levando em conta os três níveis de governo: federal, estadual e municipal.

Para saber mais: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/