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Papelão reciclado é usado para fabricar móveis e brinquedos

Um banquinho feito de papelãorecicladopode suportar até 200 quilos. Esse é apenas um exemplo da resistência e versatilidade desse material que vem ganhando espaço, com novos usos e aplicações, inclusive na decoração de ambientes. Foi justamente para aproveitar essas características e outro diferencial de peso - a sustentabilidade - que a Cartone Design começou, em 2011, a fabricar diversos itens de papelão reciclado. Para saber mais sobre as características e vantagens da utilização desse material na indústria moveleira, o Cempre Informa Mais conversou com Bruno Pellegatti, sócio-fundador e diretor-geral da empresa:

Quando e como foi criada a Cartone Design?

Em 2011, desenvolvemos os primeiros protótipos de móveis em papelão, mas o embrião foi quando começamos a criar produtos para animais feitos de papelão como casinhas e arranhadores para gatos. Já trabalhávamos com essa matéria-prima há mais de dez anos e conhecíamos bem sua resistência e versatilidade. Conversando com minha esposa, resolvemos pensar em opções para aumentar nosso portfólio e percebemos a existência de uma demanda para móveis, principalmente no mercado de eventos. Fizemos, então, os primeiros protótipos, alguns eram bem rústicos, mas a partir deles pensamos em soluções para maximizar a força estrutural do papelão e, ao mesmo tempo, refinar o design.

Em nossos desenvolvimentos, nos guiamos pela funcionalidade e pela otimização do uso da matéria-prima. O princípio sempre foi usar o mínimo de material possível com o mínimo de desperdício.

Que tipos de móveis a Cartone fabrica?

Temos mais de 30 produtos em linha: banquinhos, cadeiras, bancos de praça, mesas, nichos, cubos, estantes, cabides, lixeiras... É um portfólio bem variado, composto tanto por opções de brinquedos, móveis e acessórios para pessoas físicas como por itens voltados para eventos.

Quem são seus consumidores?

Antes da crise, 95% da produção ia para empresas - produtoras de eventos e agências de promoção de publicidade - e fazíamos poucas vendas diretas. Com a recessão, tivemos que readequar o foco operacional para não ficarmos tão dependentes da comercialização corporativa porque realmente houve uma queda acentuada. Começamos, então, a repensar o varejo, criamos uma loja virtual para ter um canal direto e lançamos os brinquedos de papelão, para os quais notamos que existia uma demanda considerável. Havia opções similares no mercado, mas por preços que não achamos justos. Como somos fabricantes, tínhamos uma boa vantagem estratégica para entrar nesse nicho. Hoje em dia, logicamente há flutuações de mês a mês, mas de 5%, a participação do varejo passou a cerca de 30%. Felizmente, nosso reposicionamento foi rápido. Se ficássemos esperando os grandes pedidos do atacado, teríamos enfrentado sérias dificuldades.

Quais as vantagens dos móveis de papelão?

A principal vantagem é ser barato. Há também a questão da praticidade, de ser desmontável, ter baixo custo de armazenamento, ser 100% biodegradável e, no nosso caso, feito com material reciclado... A percepção das vantagens depende do tipo de comprador. Para o cliente corporativo, além do baixo custo, há a possibilidade de personalização e o valor agregado da sustentabilidade. Todos os nossos móveis são produzidos com papelão reciclado. Para o cliente pessoa física, que vai usar o móvel em sua casa, tem ainda a atratividade do inusitado. É algo diferente, quando se recebe alguém sempre causa surpresa, e pesam também os aspectos do baixo custo e a possibilidade de montar e desmontar, alterando a decoração como e quando quiser. Se cansar, você desmonta, põe atrás da porta e pronto.

Móvel de papelão é um nicho hoje no Brasil?

No momento, somos os únicos fabricantes no país a usar papelão reciclado. A maioria das outras empresas compra e revende, nós fabricamos. Oferecemos, portanto, uma série de vantagens, tanto no aspecto de personalização como na agilidade do atendimento. O mercado corporativo já é um segmento bem maduro, principalmente para eventos, por conta do baixo custo, da facilidade e rapidez para montar e desmontar e da possibilidade de inserção de marcas e mensagens. Além disso, para algumas empresas, o fato de ser sustentável agrega também um benefício importante.

De onde vem o material?

Nós compramos as chapas de papelão reciclado prontas, nas medidas que atendem nossas necessidades, e fabricamos nossos produtos. O papelão é proveniente de diversas fontes como cooperativas, catadores e sobras da própria indústria.

Depois de muita busca, encontramos um fornecedor que tem uma matéria-prima que nada deve à fibra virgem. Conseguimos manter a resistência estrutural e a qualidade dos móveis, diminuindo os custos, e utilizamos um material que é ainda mais sustentável do que o papelão virgem.

Qual é a redução em termos de custo?

Há uma economia de 10% a 15%, com a mesma resistência estrutural e durabilidade. Ou seja, é mais barato e com menor impacto ambiental, pois não envolve a extração de madeira mesmo que de reflorestamento.

Qual é a percepção do consumidor em relação à sustentabilidade dos seus produtos?

De modo geral, a percepção é que não adianta ser sustentável se for caro ou se a qualidade for inferior a produtos similares. O consumidor busca preço, praticidade e qualidade. Se conseguirmos aliar a sustentabilidade a essas características é mais um diferencial que vai influenciar a compra. 

Qual é a capacidade produtiva da Cartone?

Com a nossa estrutura atual, algo em torno de 30 toneladas/mês. Em 2016, usamos, em média, metade dessa capacidade. No final do ano, tivemos um aumento significativo dos pedidos e estamos vendo uma luz no fim do túnel em relação à crise.

Quais foram as maiores dificuldades e acertos do seu negócio?

A primeira dificuldade foi vencer a noção errada de que papelão é de graça. As pessoas compram uma TV que vem numa caixa de papelão e acham que a caixa não tem custo, mas esse custo foi diluído no preço da TV. A ideia de que papelão é vulgar ou extremamente barato é um preconceito contra o qual lutamos no dia a dia e que está em total desacordo com a realidade: o papelão é uma matéria-prima nobre, feita de fibra de celulose, 100% reciclável e 100% biodegradável.

O nosso principal acerto foi ter essa visão de que não basta ser sustentável, tem que ser barato e de qualidade. Não quisemos nos posicionar no mercado de luxo. Nosso objetivo - que tem sido atingido! - é oferecer produtos resistentes, versáteis e sustentáveis com preço competitivo.

Para saber mais: http://cartonedesign.com.br/

Foto: Moacyr Galvão