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Trabalho com Cempre é destaque em relatório mundial da Nestlé

Anualmente, a Nestlé divulga seu relatório “Nestlé in society: Creating Shared Value”. A 12ª edição da publicação apresenta as principais iniciativas mundiais da empresa na criação de valor compartilhado para seus públicos-alvo durante o ano de 2015, relacionadas a temas como nutrição, saúde, bem-estar, desenvolvimento rural, uso da água e sustentabilidade ambiental, com indicadores para acompanhar a evolução de sua performance. O projeto desenvolvido com o Cempre Brasil, de apoio a cooperativas de catadores, é um dos destaques no segmento de Embalagens, entre as ações voltadas à reciclagem a partir de um modelo reconhecido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) como um benchmark de sustentabilidade. Cristiani Vieira, gerente de Sustentabilidade Ambiental da Nestlé Brasil, conversou com o “Cempre Informa” sobre esse trabalho e sua repercussão.

Qual é o escopo desse relatório?

O relatório formaliza e comunica a nossa estratégia de “Creating Shared Value” - de criação de valor compartilhado -, ou seja, é a forma da Nestlé de fazer negócios muito além das fronteiras de suas unidades produtivas. Para a Nestlé, atuar no tema da sustentabilidade só tem sentido se criarmos valor compartilhado para a sociedade como um todo e não apenas para nossos acionistas ou colaboradores. Partindo dessa premissa, o relatório aborda os compromissos e resultados da empresa em relação à sociedade e ao meio ambiente, destacando as principais iniciativas nas diferentes operações da Nestlé pelo mundo.

Como o case do Brasil tornou-se um dos destaques da publicação?

Temos muita proximidade com a matriz da Nestlé, em Vevey, na Suíça. Esse trabalho específico de atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos, através do acordo setorial e dos projetos que temos com o Cempre, é continuamente compartilhado com as áreas de Embalagem. Temos percebido que outros mercados estão olhando para o nosso modelo de acordo setorial e de Política Nacional para estabelecer seus marcos legais e seus formatos de gerenciamento de resíduos pós-consumo. Já existem, por exemplo, discussões na Ásia com entendimento de seguir numa linha semelhante à do modelo brasileiro. Foi nesse contexto que nosso case mereceu destaque.

Existe, então, uma valorização do modelo brasileiro?

Sim, porque é uma metodologia bem diferente do que é praticado no mundo em termos de gestão de resíduos pós-consumo. Na Europa, há um formato baseado em uma indústria de gerenciamento de resíduos pós-consumo e as empresas pagam uma tarifa para que isso seja feito. Aqui, no Brasil, incorporamos outros componentes ao trabalharmos na cadeia da reciclagem com inclusão social, agregando e valorizando os catadores em todo o processo. Essa abordagem está bastante alinhada como o nosso conceito de criação de valor compartilhado, pois vai além da cadeia produtiva, levando em conta a sociedade e como contribuímos para o desenvolvimento sustentável.

No relatório, é citada a Coalizão de Embalagens para a formalização do acordo setorial aprovado pelo governo. Qual é a importância dessa união de esforços?

Para nós, a sustentabilidade não pode ser pensada de forma isolada. Portanto, a Coalizão faz todo sentido, uma vez que não temos uma responsabilidade segregada pelo que está acontecendo. Há uma vantagem imensa atrelada a essa união: juntos, fazemos mais e melhor em relação a um tema que proporciona benefícios comuns, não apenas para as empresas, mas para a sociedade como um todo. A responsabilidade compartilhada é uma premissa muito relevante.

Isso permite a troca de experiências?

Com certeza, é uma cocriação, uma construção conjunta, e não uma iniciativa isolada de uma empresa ou de outra. É um compartilhamento, com divisão de papéis e responsabilidades, que proporciona uma geração de conhecimento muito interessante.

Como ocorre essa parceria da Nestlé com o Cempre no apoio às cooperativas de catadores?

A Nestlé iniciou seus projetos de suporte aos catadores em 2005 - portanto, cinco anos antes da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Desde o começo, trabalhamos em parceria com o Cempre para apoiar o desenvolvimento das cooperativas, aproveitando sua expertise e proximidade com o setor. Na verdade, as histórias se misturam, pois foram escritas de modo conjunto: o Cempre, a Política Nacional, a Coalizão, a parceria com a Nestlé e outras empresas. Foi tudo construído de forma muito estreita.

A Nestlé atua em 69 das 150 cooperativas apoiadas pelo Cempre no país. Em 2015, nosso programa cobriu cerca de 1.900 catadores (mais do dobro de 2014) que separaram aproximadamente 51.000 toneladas de materiais recicláveis que retornaram, assim, à cadeia produtiva, com inclusão socioeconômica desses trabalhadores.

Por que a Nestlé valoriza o papel dos catadores?

A atuação dos catadores organizados em cooperativas é fundamental porque elas tornam possível a realização da logística reversa num país de dimensões continentais como o Brasil. Esse trabalho informal tem que ser valorizado e formalizado, com o reconhecimento e profissionalização das cooperativas, pois é um modelo que possibilita ganhos sociais, econômicos e ambientais, alinhado com a Política Nacional e com o acordo setorial proposto pela Coalizão.

Como o envolvimento da Nestlé pode fazer a diferença pensando na cadeia da reciclagem e no reaproveitamento dos resíduos?

A Nestlé trabalha fortemente a partir de conceitos de baixo impacto em sua cadeia produtiva. Um exemplo é o princípio do desperdício zero: nossas fábricas têm metas muito rígidas para fazer com que, a partir de 2020, nenhuma delas envie resíduos para aterros sanitários. Dentro do nosso modelo de gestão, acreditamos que o primeiro passo é obviamente repensar e reduzir a geração de resíduos. No entanto, a embalagem é uma necessidade para garantir a entrega de nossos produtos com a qualidade e a integridade requeridas pelos consumidores. Por isso, a Nestlé incentiva as mais diversas formas de assegurar que essa embalagem se torne novamente um subproduto ou matéria-prima para outro processo produtivo e não um resíduo sem valor agregado. E isso se reflete no trabalho que temos junto à Coalizão e aos catadores no reaproveitamento dos materiais e sua reinserção nos processos produtivos.

Para saber mais: http://www.nestle.com/csv