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Livro conta a história do Projeto Eco Eletro

Como assegurar a correta destinação de equipamentos eletrônicos, evitando a contaminação do meio ambiente e dos catadores que os recolhem para retirada de peças? Uma resposta para essa questão começou a ser dada, em 2010, em um projeto pioneiro desenvolvido pelo Instituto GEA - Ética e Meio Ambiente, em parceria com o LASSU – Laboratório de Sustentabilidade, vinculado ao CCE (Centro de Computação Eletrônica) da Escola Politécnica da USP – Universidade de São Paulo.

A história desse trabalho é contada no livro “O catador eletrônico”, escrito pelo jornalista Fernando Portela. Por meio de depoimentos de representantes de oito cooperativas envolvidas no projeto e de suas idealizadoras, o livro demonstra como a obtenção de conhecimento e informações sobre o tema, nos cursos oferecidos no LASSU, gerou uma mudança de paradigma para esses protagonistas.

“A iniciativa nasceu de nossa observação prática de como os equipamentos eletrônicos eram tratados nas cooperativas que monitorávamos. Percebemos a necessidade de conscientizar esses trabalhadores sobre os riscos para sua saúde e o meio ambiente e, por isso, contatamos a professora Tereza Cristina Carvalho, da USP, para elaborarmos um projeto que ajudasse os catadores a lidar corretamente com esses materiais e obter maior valor agregado em sua comercialização”, lembra Ana Maria Domingues Luz, presidente do Instituto GEA. O projeto foi, então, selecionado entre mais de 5 mil inscritos para receber patrocínio da Petrobras, dentro de seu Programa Desenvolvimento & Cidadania.

A primeira fase teve início em 2011 e contemplou 62 cooperativas da região metropolitana de São Paulo e do estado de Minas Gerais em cursos oferecidos no LASSU, dentro da USP. Foram treinados 182 catadores que, depois de aprenderem a separar correta e seguramente as diferentes partes dos equipamentos, repassaram esses conhecimentos a seus colegas, o que impactou, no total, cerca de 2.300 catadores. Os cursos resultaram também em aumento significativo de ganho para essas cooperativas, uma vez que separar e classificar o resíduo eletrônico por tipo de material e encaminhá-lo para empresas de reciclagem especializadas pode render, em média, até 100 vezes mais.

Para acompanhar de perto o trabalho realizado, o projeto entrou em sua segunda fase, em 2014, dedicada à ação direta em sete cooperativas de São Paulo e uma de São José do Rio Preto. A intervenção contemplava inclusive pequenas reformas e cursos mais longos e detalhados, de 80 horas de duração (o dobro da fase 1), que chegavam a abordar a remontagem dos equipamentos.

Com o objetivo de garantir um bom fluxo de materiais e, portanto, ganho de escala, a fase 2 envolveu também a execução de campanhas junto a empresas e pessoas físicas para a doação dos equipamentos. “Tivemos melhores retornos no contato direto com a população. Em algumas ações, junto a clubes, escolas e condomínios, por exemplo, chegávamos a recolher cerca de uma tonelada de materiais”, detalha Ana Maria.

Os resultados do projeto Eco Eletro fizeram com que o Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal se interessasse pela iniciativa a fim de assegurar a correta destinação de seus resíduos eletrônicos, armazenados em depósitos em diversas cidades. A primeira fase ocorreu em São Paulo, Salvador, Brasília e Recife. “Selecionamos, treinamos mais de 80 catadores com os profissionais da USP e acompanhamos as cooperativas localmente, além de ajudá-las a encontrar recicladoras certificadas para a compra das peças triadas, tanto na região quanto em outros estados, se necessário. Os principais critérios para escolha das cooperativas são sua infraestrutura e documentação de funcionamento”, explica Ana Maria. A segunda fase está em execução em mais sete cidades - Belém, Fortaleza, Goiânia, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre - com média de duas cooperativas por município.

“Essa parceria entre universidade, organizações, empresas, cooperativas e comunidade é essencial para garantir a efetiva participação dos catadores na logística reversa, de forma correta e segura”, destaca a presidente do GEA. O livro “O Catador Eletrônico” está disponível, gratuitamente, em formato pdf, no link: http://ecoeletrofase2.com.br/ecoeletro2/publicacoes/.

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