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Franqueada do McDonald’s direciona quase 100% de seus resíduos sólidos

Há cinco anos, Ana Paula Abdalla decidiu iniciar a coleta seletiva dos resíduos sólidos em seu restaurante McDonald’s em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Como o município não oferecia o serviço, ela entrou em contato com uma cooperativa local - a Recicle Bragança – para que os recicláveis pudessem ser retirados.

Em janeiro de 2010, ao abrir outra franquia da marca – desta vez, em Atibaia, também no interior de São Paulo –, Ana Paula enfrentou um desafio duplo: além de não contar com a coleta seletiva oferecida pelo poder público, não havia cooperativas no município. Em vez de desistir, ela fechou um contrato com a Recicle Bragança para que estendesse o serviço ao restaurante de Atibaia.

Hoje, quase 100% dos resíduos sólidos dos dois restaurantes vão para reciclagem, num total de 67 toneladas mensais – 38 t de papel, 12,5 t de plásticos, 10 t de vidro e 6,5 t de metal. Na Recicle Bragança, os materiais são triados e vendidos, contribuindo com a geração de renda para os atuais 26 cooperados.

“Nesses cinco anos, infelizmente, pouco mudou em relação às condições oferecidas nos municípios. Em Bragança Paulista, a coleta seletiva está hoje disponível em apenas alguns bairros. Atibaia continua sem cooperativas e há coleta seletiva apenas de papelão. Ou seja, o compromisso do poder público ainda deixa muito a desejar”, avalia Ana Paula que, mesmo diante desse cenário, não se deixa abater. “Sinto que população está se conscientizando e mais envolvida com a separação dos resíduos na hora do descarte, mesmo que nem sempre consiga fazê-la de maneira certa.”

Para ajudar nesse processo, Ana Paula treina seus funcionários para ensinar os clientes sobre a disposição correta. Além das lixeiras separadas para secos e orgânicos, os restaurantes contam com avisos que informam sobre a coleta seletiva e o trabalho social feito junto à cooperativa. “Assim, mostramos que essa iniciativa ultrapassa a questão ambiental. É um tema mais amplo e todos precisam se dar conta disso e contribuir. Do ponto de vista social, esses cooperados saem das ruas e conquistam melhor qualidade de vida. Do ponto de vista ambiental, ajudamos a diminuir o material enviado aos aterros e colaboramos com a preservação do planeta. O fato, no entanto, é que o envolvimento efetivo da municipalidade poderia fazer o processo avançar muito mais.”