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Santa Terezinha de Itaipu atinge índice de reciclagem de 70%

Há cerca de dois anos, a Prefeitura de Santa Terezinha de Itaipu (PR) deu início a um novo sistema de coleta seletiva, em parceria com a Associação dos Catadores de Resíduos Recicláveis e/ou Reaproveitáveis de Santa Terezinha de Itaipu (Acaresti) que já atuava no município desde 2004. Até então, seus 20 associados coletavam os materiais com carrinhos movidos a tração humana, nas proximidades de suas moradias. Eram recolhidas assim cerca de 30 toneladas de recicláveis mensais, com média de faturamento de R$ 450 reais por catador.

Entre as dificuldades enfrentadas até 2014, estavam a baixa cobertura da coleta, o armazenamento dos recicláveis nas casas dos próprios catadores, devido à distância do galpão da Acaresti, acarretando problemas de higiene e saúde, ocorrência de trabalho infantil e a resistência à atuação associativa, com frequentes disputas entre os catadores. Além disso, um estudo feito pela prefeitura mostrou que, das 13 toneladas de resíduos domésticos encaminhadas diariamente ao aterro do município (em funcionamento desde 2004), 5 toneladas correspondiam a materiais recicláveis. Em pouco tempo, os resultados da parceria com a Acaresti vêm demonstrando o valor de um projeto bem elaborado e desenvolvido com eficiência - o reconhecimento dessa realidade foi dado pela conquista do Prêmio BNDES de Boas Práticas em Economia Solidária e do Prêmio Cidade Pró-Catador, em 2015.

“Hoje, fazemos a coleta de recicláveis em todo o município, contemplando 100% do perímetro urbano e o perímetro rural, o que garante destino adequado para 70% dos materiais recicláveis gerados pelos cerca de 22 mil itaipuenses. A média atual é de 100 toneladas por mês e pretendemos encerrar 2016 com um índice de 100% de reaproveitamento de recicláveis”, conta Paulo Henrique Squinzani, diretor do Departamento de Meio Ambiente. A coleta é realizada de porta em porta, por dois caminhões-baús identificados pelo logotipo do programa, com o apoio de dois motoristas, quatro coletores terceirizados e quatro catadores associados à Acaresti. Todo o custo operacional é pago pela prefeitura, com a doação do material à Associação que faz a triagem e comercialização dos recicláveis.

A prefeitura também cede um funcionário que contribui com a organização do galpão, o controle de presença dos catadores, a venda dos materiais, os pagamentos e o correto funcionamento das atividades. Também são parceiros do programa a Itaipu Binacional, o Centro de Referência de Assistência Social, a Cooperativa dos Agentes Ambientais de Foz do Iguaçu, o Coletivo Educador, o Programa EcoCidadão Paraná e a Tetra Pak.

O envolvimento da população tem sido conquistado com ações realizadas em conjunto pela Secretarias Municipais de Agropecuária e Meio Ambiente e de Educação, abrangendo palestras nas escolas, visitas dos alunos ao aterro sanitário e à Acaresti, divulgação da coleta seletiva na rádio comunitária, no facebook e em carros de som. “Outra importante atividade desempenhada pela Acaresti é a campanha anual de coleta de eletroeletrônicos que são vendidos a uma empresa especializada na reciclagem desses equipamentos. Desde 2013, já foram recolhidas 15 toneladas de materiais”, destaca Squinzani. Ainda neste ano, deverá ter início também a coleta de óleo vegetal doméstico usado, com a criação de uma miniusina de processamento de sabão líquido e em barra e venda do excedente para produção de biodiesel.

“Paralelamente à evolução da quantidade de materiais recolhidos, aumentamos de duas a três vezes o valor da renda dos catadores em relação ao ano de 2013, garantimos maior estabilidade ao grupo e um controle mais rigoroso de sua saúde e bem-estar. Hoje, a própria Associação desenvolve um projeto social que consiste na retirada de lacres das latas de bebidas que, a cada 200 litros, são trocados por uma cadeira de rodas, doada a pessoas carentes da comunidade”, comenta Squinzani. “Outro importante indicador monitorado foi o aumento de 40% da vida útil de nosso aterro sanitário a partir da implantação do programa.”

Com todas essas conquistas, o programa de Santa Terezinha de Itaipu tornou-se referência na região e também em outros países como Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. “Queremos avançar ainda mais. Entre nossas metas, estão a mudança para um galpão maior, a aquisição de novos equipamentos (prensa hidráulica, empilhadeira e triturador de vidro), com o intuito de ampliar e agilizar o processo, e a comercialização dos materiais recicláveis em rede para venda direta às indústrias”, projeta Squinzani.

Para saber mais: http://www.stitaipu.pr.gov.br/