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Campo Largo é exemplo na coleta seletiva com inclusão de catadores

Em 2006, o Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (PGIRS) do município de Campo Largo, no Paraná, diagnosticou que, das 1.242 toneladas mensais de resíduos destinados ao aterro sanitário, 37% poderiam ser recicladas. A coleta seletiva até então era limitada e informal, realizada por uma organização não governamental e pela ação isolada de catadores autônomos que se encontravam em situação de exclusão social.

Em agosto daquele ano, entre outras iniciativas, a Prefeitura iniciou um trabalho de mapeamento dos catadores que resultou no cadastramento de 57 trabalhadores, cuja renda mensal era de R$ 336,00, o que correspondia a 96% de um salário mínimo. Um ano depois, a Prefeitura lançou a Campanha "Vamos ReciCLar Campo Largo" com o objetivo de alavancar a coleta seletiva e promover a sensibilização ambiental, o que gerou aumento de 81% no volume de recicláveis e motivou os catadores cadastrados, em sua maioria mulheres, a formar a Associação Unidos da Reciclagem (ASSUR). Desde então, a situação da coleta mudou completamente.

Com mais de 112 mil habitantes, Campo Largo oferece, hoje, coleta seletiva semanal em 100% de sua área urbana, recolhendo, em média, 253 toneladas mensais, o que representa 15% do total de resíduos sólidos gerados no município. Uma empresa terceirizada faz a coleta e os caminhões descarregam nas associações que realizam a triagem e a venda dos materiais. Todo o lucro com a comercialização é rateado entre os associados.

Atualmente, além da pioneira ASSUR (que possui contrato de prestação de serviços com a Prefeitura), mais três associações recebem os recicláveis recolhidos: a Associação de Reciclagem Campolarguense (ARC), a Associação de Reciclagem Lutar e Vencer (ARLeV) e a Associação de Reciclagem Amigas do Meio Ambiente (AR-AMA). Um grande impulso para a consolidação da coleta seletiva foi dado pelo projeto Elos da Sustentabilidade. “Construímos uma rede de atores que envolve a sociedade civil, associações empresariais, empresas, fundações, governo municipal, estadual e federal, entidades intermunicipais, instituições acadêmicas, educacionais, ONGs e a mídia”, conta Walquiria Menna, uma das responsáveis pelo Projeto Técnico Social para Inclusão dos Catadores, desenvolvido pela Prefeitura.

Entre as empresas apoiadoras, estão a Laticínios Tyrol e a SIG Combibloc. “A parceria com a SIG Combibloc teve início em 2012, após a instalação de sua planta em Campo Largo. Um ano depois, a pedido da empresa, o Cempre passou a assessorar as associações de catadores. Essa assessoria consiste no acompanhamento das atividades, através de visitas técnicas, capacitações, disponibilização de mobiliário e infraestrutura, além de doação de equipamentos para as atividades das associações e de segurança individual”, detalha Walquiria.

Desde o lançamento da coleta, em 2006, houve incremento de 926% na quantidade de recicláveis coletados (índice superior ao aumento da taxa de rejeitos que foi de 32%), o que demonstra a mudança de comportamento da comunidade. Mais de 13 mil toneladas de recicláveis retornaram à cadeia produtiva e o poder público deixou de gastar mais de R$ 2 milhões com disposição em aterro. Além disso, reduziu-se a exclusão social e houve melhora na qualidade de vida dos catadores. Na Central de Triagem, a ASSUR elevou o volume de recicláveis segregados na ordem de 420%, a renda dos cooperados cresceu 275%, alcançando os R$ 1.500,00 atuais, a produtividade passou de 2,8 para 4,1 toneladas por associado e houve aumento dos preços na venda dos recicláveis, em virtude da não dependência dos aparistas.

Para manter o sistema afinado, a sensibilização da população é feita em diversas frentes. “Há uma equipe de educação ambiental que percorre todas as escolas municipais, estaduais e particulares, com palestras, dinâmicas e distribuição de panfletos. Também é realizado um trabalho com as agentes comunitárias de saúde que são capacitadas para conscientizar os moradores. Há ações socioambientais como mutirões de limpeza, peças de teatro, gincanas e eventos em datas comemorativas. Os trabalhadores são sensibilizados através de palestras em empresas e utilizamos meios como rádios e jornais para divulgar notícias sobre a coleta”, enumera Walquiria. Com todas essas conquistas, Campo Largo já recebeu vários reconhecimentos como menção honrosa no “II Prêmio Gestor Público Paraná” e o “Prêmio Caixa Melhores Práticas em Gestão Local”, no qual seu projeto foi considerado um dos vinte melhores do país. “Sem dúvida, esses são grandes estímulos para fazermos ainda mais”, comemora Walquiria.

Crédito (foto): Diego Pisante

Para saber mais: http://www.campolargo.pr.gov.br/