CEMPRE INFORMA MAIS

Pelotas prioriza ações em escolas para disseminar a coleta seletiva

A primeira iniciativa do município de Pelotas, no Rio Grande do Sul, visando à segregação dos resíduos recicláveis ocorreu nos anos 90, com o projeto “Adote uma Escola”. Em 2010, foi implantada a coleta seletiva domiciliar que, na primeira fase, contemplou onze bairros e, dois anos depois, incluiu mais sete bairros.

“O projeto ‘Adote uma Escola’ foi criado para desenvolver a consciência ecológica entre as crianças e adolescentes, por meio da educação ambiental. Ele foi o ponto de partida para a introdução da coleta seletiva no município, um item fundamental na gestão dos resíduos tanto no âmbito ambiental como social, uma vez que diminui a quantidade de materiais encaminhados ao aterro e possibilita melhorias nas condições de trabalho e renda das cooperativas de triagem conveniadas”, explica Edson Plá Monterosso, chefe do Departamento de Resíduos Sólidos do Sanep (Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas), autarquia responsável pela captação, tratamento e distribuição de água potável, recolhimento e tratamento de esgotos sanitários e coleta e destinação dos resíduos sólidos do município que possui mais de 328 mil habitantes.

Hoje, a coleta seletiva porta a porta cobre cerca de 60% da área urbana de Pelotas e ocorre duas vezes por semana. No mês de julho, foram recolhidas 133 toneladas de recicláveis, com uma média anual em 2015 de 130,5 toneladas. O projeto “Adote uma Escola” continua em ação, abrangendo 75 estabelecimentos de ensino municipais, estaduais e particulares que funcionam como pontos de entrega voluntária e recebem repasse de recursos proporcionais ao volume obtido. Enquanto isso, a coleta seletiva domiciliar é feita em toda a zona central e comercial da cidade, onde se concentra a maior densidade populacional.

A coleta seletiva é realizada pelo Sanep que mantém convênios com cinco cooperativas de catadores, responsáveis por receber os resíduos e cuidar de sua triagem e comercialização. No total, o sistema conta com 84 cooperados, além de onze coordenadores. “Os convênios garantem a cobertura de despesas administrativas (aluguel, luz, água, impostos e taxas), operacionais (EPIs, EPCs, óleo hidráulico, combustíveis, cintas para enfardamento e bags) e com pessoal (Previdência Social). Estas despesas não podem ultrapassar o valor de R$ 15 mil mensais que é o teto limite do convênio”, explica Monterosso. “Além disso, o produto da coleta seletiva do município é dividido entre as conveniadas. Mensalmente, as cooperativas fazem a prestação de contas, com a apresentação dos documentos legais que comprovem as despesas realizadas, para que o Sanep possa realizar o repasse subsidiado dos recursos.”

Após a triagem, os recicláveis são comercializados com recicladores ou compradores que mantêm depósitos na cidade. Os materiais não reciclados localmente são vendidos a empresas de outros municípios e os rejeitos - materiais não recicláveis ou orgânicos - vão para a Estação de Transbordo, que recebe também a coleta convencional de Pelotas, de onde seguem para o aterro sanitário terceirizado, em Candiota (RS).

Assim como em outros municípios, as maiores dificuldades enfrentadas por Pelotas para ampliar o sistema são a conscientização da população de seu papel na correta separação dos resíduos e a recolocação dos materiais em seu ciclo produtivo. “Mesmo assim, temos avançado na consolidação do modelo, com a criação das cooperativas que proporcionam trabalho e renda, e o aumento contínuo do volume. Para isso, o Núcleo de Educação Ambiental em Saneamento do Sanep promove palestras e atividades constantes junto às escolas e são realizadas campanhas sazonais nos meios de comunicação. A expansão geográfica é outra meta a ser alcançada com a cobertura de 100% da área urbana entre 2016 e 2017. Queremos também fomentar a busca de soluções consorciadas com outros municípios e a implantação de novas tecnologias para o tratamento e destinação final dos recicláveis”, sinaliza Monterosso.

Para saber mais: http://www.pelotas.rs.gov.br/sanep/