CEMPRE INFORMA Número 153 Maio/Junho

Reciclando ideias

Uma história feita de parcerias e muito trabalho conjunto

Pioneiro, facilitador, incentivador, parceiro, fomentador, produtor e difusor de conhecimento, articulador, multiplicador, protagonista... Esses são alguns dos termos utilizados para descrever o papel do Cempre na busca de modelos que levem à evolução da reciclagem com inclusão social, unindo, para isso, todas as pontas da cadeia de forma sustentável, eficiente e duradoura. Veja o que mais dizem alguns dos stakeholders que vêm participando dessa jornada.

Fotos: Arquivo Cempre

“Há 25 anos, não se falava sobre resíduos sólidos ou reciclagem com a intensidade com que se fala hoje. O papel do Cempre, no início, foi introduzir essa agenda para a sociedade brasileira, tornando-se uma voz ativa no sentido de indicar que a gestão dos resíduos vai muito além da destinação final. É preciso pensar em reciclagem e em instrumentos econômicos, visando entender esse assunto com a complexidade que ele exige. O grande desafio do poder público, no Brasil, é rever o modelo de federação. Esse é um aprendizado muito importante, as realidades locais são bastante diversas e o poder público tem que reorientar suas estratégias, pois as adotadas até agora ainda são muito deficientes. O Cempre colocou o setor empresarial também como responsável pelas soluções, fazendo alianças com a sociedade civil e a comunidade acadêmica, e alinhando esses atores para pressionar o poder público e fazer com que ele compreenda a relevância dessa agenda.” Fabio Feldmann, ambientalista e autor do primeiro projeto que estabeleceu a PNRS

“Tivemos a oportunidade de conhecer e firmar parcerias com o Cempre que nos proporcionaram contatos importantes com empresas interessadas em contribuir para o desenvolvimento da coleta seletiva na cidade de Guarulhos. A inclusão social de catadores e a sua organização em cooperativas são desafios permanentes e o Cempre, como entidade articuladora, contribui na criação de ‘pontes’ com os empresários comprometidos com a logística reversa e incentiva o diálogo com as cooperativas. Entre outros destaques, está o grande aporte que, em 2016, o Cempre conseguiu viabilizar para a Cooperativa Luta e Vida, com o fornecimento de equipamentos que alavancaram a produção dos cooperados e puderam garantir a operação da segunda Central de Triagem do município.” Madalena Maria Rodrigues, da Divisão de Coleta Seletiva de Resíduos Recicláveis do Departamento de Limpeza Urbana da Secretaria de Serviços Públicos de Guarulhos/SP

“O Cempre é um indutor no processo de organização e estruturação das cooperativas no Brasil. O tabu e o preconceito do relacionamento das empresas com as cooperativas e catadores que existia - e ainda é forte - foi bastante reduzido com o seu trabalho. O Cempre lembrado por inverter a lógica de que era preciso ter uma pessoa externa para gerir a cooperativa. Nós aprendemos a fazer a gestão! Conjuntamente, percebemos o valor da regulamentação da nossa associação e foi também a partir daí que pudemos apoiar outras cooperativas em Minas Gerais e no Brasil. Em 2001, surgiu o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis e houve a aliança com o Cempre para que começássemos a intervir juntos no setor governamental. Ainda não havia políticas públicas, ou seja, um marco legal - como a Política Nacional de Resíduos Sólidos - que obrigasse as prefeituras a cumprir esse compromisso e ter sua parcela de responsabilidade na gestão de resíduos. Tudo foi construído também com essa parceria.” Luiz Henrique da Silva, da Associação dos Catadores de Papel e Papelão e Materiais Reaproveitáveis (Asmare), de Belo Horizonte/MG

“O trabalho do Cempre é fundamental, pois permite o conhecimento e o desenvolvimento de boas práticas na gestão de resíduos sólidos e na reciclagem, promovendo a inclusão dos catadores e coordenando esforços para que tenhamos maior harmonia entre consumo, sociedade e meio ambiente em nossos países. O Cempre Argentina, o Cempre Uruguai e o Cempre Chile operam com esse mesmo espírito, na articulação com governos, empresas e cooperativas de catadores, o que possibilita sinergias e aprendizados mais rápidos e eficientes sobre como implementar a separação correta, a coleta diferenciada e a classificação de recicláveis, com inclusão social. O Cempre Brasil nos trouxe experiência, técnica, boas práticas e espaços de difusão e troca que permitem melhorias e monitoramento. O sistema de coleta urbano é um dos maiores aprendizados conjuntos. Agora, vamos para a educação ambiental e a conscientização da comunidade, o que exige um esforço longo e contínuo.” Horacio Martino, gerente de Meio Ambiente da Tetra Pak Cone Sul e representante do Cempre Argentina

“Desde sua criação, o Cempre representa a percepção do setor empresarial sobre sua responsabilidade em relação ao meio ambiente. O foco na reciclagem, uma ação responsável para além das portas da fábrica, demonstrava, já em 1992, a conexão das empresas fundadoras com um novo momento. Sua atuação protagonista nas discussões sobre a gestão dos resíduos sólidos no Brasil trouxe o necessário ponto de vista empresarial, equilibrando a urgência das ações com a realidade dos setores. Ao mesmo tempo, contemporizou e instruiu o setor empresarial quanto à sua participação e corresponsabilidade, permitindo que importantes acordos fossem firmados, trazendo benefícios coletivos à sociedade brasileira. Sendo o tema de Consumo e Produção Sustentáveis a maior bandeira da ONU Meio Ambiente no Brasil, o Cempre é um parceiro preferencial em ações que buscam a mudança para padrões produtivos e de consumo mais sustentáveis.” Denise Hamú, representante do Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente (PNUMA) no Brasil

“O primeiro curso que fiz como catador foi o ‘Cooperar Reciclando Reciclar Cooperando’, há quase 20 anos, proporcionado pelo Cempre com apoio do Banco do Brasil, e acredito que tenha sido um dos primeiros cursos para catadores. Conhecemos a indústria da reciclagem e o envolvimento das empresas nesse processo e foi quando despertei e me senti motivado para o trabalho que realizo hoje no Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. O Cempre tem uma importância muito grande para nós catadores, sobretudo na nossa formação e na conscientização sobre o protagonismo da nossa atividade. Através das suas empresas associadas, o Cempre trouxe muito apoio para esse processo, contribuindo com instrumentos técnicos que demonstravam para o poder público, sobretudo as prefeituras, que, de fato, fazer a coleta seletiva com os catadores era estrutural e economicamente viável. Possibilitar ainda o diálogo e a parceria com a indústria foi fundamental, nunca imaginávamos que teríamos essa interface direta com executivos de empresas.” Roberto Laureano, da Coordenação do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis

"A linguagem do Cempre me chama muito a atenção. Sem dúvida, existe uma intenção de que a informação seja clara e fácil para todos. Comecei a ter acesso aos seus materiais pelas cartilhas de educação ambiental e também pela tabela de preços disponíveis no site, considero essas informações fundamentais, pois é uma espécie de centro regulador de como esses materiais são negociados no Brasil. Sempre trabalhei procurando acessar e me atualizar sobre como o lado empresarial dessa cadeia está atuando. O Cempre tem um papel marcante como facilitador na circulação dessas informações e permite o acesso ao conteúdo disponível nas empresas. Afinal, uma economia verde só vai acontecer se as principais empresas também se moverem. Agora, há a legislação da Política Nacional de Resíduos Sólidos a ser cumprida, mas antes era uma atitude quase de voluntariado de cada empresa adotar essas medidas com relação à destinação final e à responsabilidade na produção.” Paulina Chamorro, da Rádio Vozes/Programa Vozes do Planeta

“O trabalho realizado pelo Cempre foi e é fundamental para a estruturação da cadeia de reciclagem de materiais pós-consumo no Brasil. Essa estruturação só pode ser conseguida com a integração de todos os setores envolvidos (fabricantes e usuários de embalagens, academia e poder público) e nesse sentido a atuação do Cempre é estratégica. Além disso, a associação contribui para a disponibilização de informações técnicas e de mercado relevantes para todos os elos da cadeia de reciclagem: consumidores, cooperativas e recicladores, entre outros. O Cempre foi criado justamente quando o Cetea do Ital incorporou as soluções para a embalagem pós-consumo como uma de suas linhas de pesquisa prioritárias. Foi uma coincidência muito positiva, pois a visão do Cempre veio ao encontro dos objetivos do Cetea que também acredita no trabalho integrado em prol da valorização dos materiais no pós-consumo.” Eloisa Garcia, do Centro de Tecnologia de Embalagem de Alimentos/Cetea