CEMPRE INFORMA Número 152 Março/Abril

Reciclando ideias

Foco na formação de parcerias para impulsionar a reciclagem

Com mais de 12 milhões de habitantes, estando entre as dez cidades mais populosas e com maior PIB do mundo, São Paulo dispensa comentários sobre a exuberância de seus números, qualidades e problemas. Um desafio para qualquer gestor, sob os mais diferentes aspectos, a capital enfrenta a difícil tarefa de lidar com as mais de 3,7 milhões de toneladas de resíduos domiciliares coletadas anualmente (segundo dados da Amlurb de 2016). Nessa entrevista, Gilberto Natalini, titular da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, fala sobre os caminhos para ampliar a coleta seletiva e a reciclagem no município.

Divulgação

Qual é a atual situação da coleta seletiva no município?

Estamos em fase de planejamento para incrementar a coleta residencial e o volume de recicláveis recebidos pelas Centrais Mecanizadas. Para isso, temos que aprimorar a participação dos munícipes e ampliar a quantidade de pontos de entrega voluntária. Por outro lado, as 28 cooperativas com as quais a Prefeitura tem convênio operam hoje no limite de sua capacidade e seu trabalho tem sido complementado por mais 20 associações de catadores. Precisamos, portanto, credenciar novas cooperativas para aumentar a triagem dos recicláveis que é um dos nossos grandes gargalos.

Como é a organização desse serviço?

A coleta seletiva oficial é feita pelos caminhões das concessionárias que recolhem os recicláveis, porta a porta e nos pontos de entrega voluntária, e pelas cooperativas de reciclagem com os caminhões contratados para esse serviço. A coleta das concessionárias é feita uma vez por semana. Já as cooperativas têm uma logística própria para atender à demanda local. A cidade conta ainda com mais de 1.000 Pontos de EntregaVoluntária (PEVs) e 98 Ecopontos.

Qual o volume coletado?

Em 2016, foram recolhidas 3.754.557 toneladas de resíduos domiciliares. Sua composição gravimétrica foi de 51% de compostáveis, 35% de recicláveis e 14% de rejeitos. A coleta seletiva atende 46% do total de domicílios, em 75 dos 96 distritos, capturando 1,6% dos resíduos, com elevada presença de rejeitos. O objetivo de Prefeitura é chegar a 2,3% até 2020. Para isso, estão entre as metas mais relevantes da atual gestão: a universalização do acesso dos munícipes ao sistema de coleta seletiva, a ampliação dos níveis de recuperação dos resíduos, a implantação da logística reversa e a inclusão e integração socioeconômica dos catadores.

Qual é a estrutura instalada para a triagem?

As cooperativas operam com a estrutura e o maquinário necessários, ou seja, prensa, balança, esteira e caminhões, entre outros. A capacidade instalada varia, mas a maioria pode triar entre 7 e 10 toneladas diárias de recicláveis. Nas duas Centrais Mecanizadas, podem ser separadas até 250 toneladas por dia.

Quais os maiores entraves para a ampliação da coleta seletiva e como enfrentá-los?

O maior entrave é atender uma cidade do tamanho de São Paulo. A coleta seletiva deveria ser por Prefeitura Regional. Cada uma tem suas características e peculiaridades. A educação ambiental na Sé não será a mesma que em Parelheiros. É necessário também aumentar o número de cooperativas cadastradas para receber os recicláveis. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos chama a atenção para a gestão compartilhada e os acordos setoriais. Cabe a nós encontrar a melhor forma de superar as dificuldades e criar um programa que satisfaça a maioria da população.

E quais as maiores oportunidades identificadas?

A geração de trabalho e renda para os catadores e a consciência ambiental das pessoas que atuam nessa área. Temos um curso na Universidade Aberta de Meio Ambiente e Cultura de Paz (UMAPAZ) que trata especificamente de resíduos e está em seu segundo ano, com um público de jovens e universitários. Isso nos motiva a continuar investindo na boa gestão de resíduos. É preciso também ampliar a discussão da carga fiscal na venda de matéria-prima para a indústria recicladora.

Pretendemos otimizar essas oportunidades, abrindo espaço para a parceria com a sociedade civil organizada e as empresas que atuam no segmento e discutindo com a área fiscal do governo federal. Acreditamos que a Coalizão Embalagens, por exemplo, poderia participar de uma grande campanha para incentivar a coleta seletiva. Outro ponto importante é formar uma força-tarefa para cadastrar e regularizar a situação fiscal das cooperativas não conveniadas.

Como parcerias com organizações como o Cempre, que faz agora parte do Comitê Gestor de Resíduos Sólidos, podem contribuir?

O Cempre é uma associação atuante que respeitamos e está nesta área há 25 anos. Temos que aprender com seus representantes e utilizar tudo o que for melhor para a cidade.

Para saber mais: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/