CEMPRE INFORMA Número 152 Março/Abril

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Representantes de multinacionais visitam cooperativa de catadores

O modelo brasileiro de reciclagem com inclusão social dos catadores está definitivamente na pauta do dia entre empresas, associações e governos de diversos países. A busca por informações junto ao Cempre tem aumentado de forma constante, gerando consultas e visitas para acompanhar de perto as experiências.

Pierre Wiertz, gerente geral da Edana, na Cooper-Recifavela

Um bom exemplo nesse sentido foi a recente solicitação de representantes da Edana para conhecer uma cooperativa de catadores, em São Paulo. Esse foi o segundo passo do contato iniciado em setembro do ano passado, quando André Vilhena, diretor do Cempre, foi convidado para apresentar os conceitos e práticas da Política Nacional de Resíduos Sólidos e dos acordos setoriais, com ênfase da Coalizão Embalagens. A palestra foi feita, em Madri, durante a Outlook 2016, a principal Conferência Mundial sobre Não Tecidos para Produtos de Cuidados Pessoais e Higiene.

No início de março, membros da Edana aproveitaram a realização da Outlook Plus Latin America para, acompanhados por uma equipe do Cempre, visitar a Cooper-Recifavela. Cerca de 20 executivos de empresas da Bélgica, México, Estados Unidos, Finlândia, Turquia, Alemanha e Áustria participaram do programa.

A Edana é uma associação internacional formada por cerca de 240 empresas ligadas à indústria de não tecidos. Criada em 1971, a associação tem membros em 36 países, com destaque para a Europa, Oriente Médio e África.

Exemplo para outros países

“A Cooper-Recifavela é um exemplo do que a união entre a indústria brasileira, os municípios e os catadores pode alcançar. Em vez de procurar sobras de materiais pelas ruas ou lixões, os catadores se reúnem em uma cooperativa que recolhe e separa recicláveis de alta qualidade”, avalia o gerente geral da Edana, Pierre Wiertz. “Assim como outras cooperativas similares, a Cooper-Recifavela contribui para aprimorar a coleta de resíduos, elevar a taxa de reciclagem e gerar emprego nas comunidades locais em todo o Brasil.”

Segundo Cristiano Gonçalves Cardoso, tesoureiro da Cooper-Recifavela, a visita foi muito bem-vinda. “Foi muito bom receber pessoas importantes interessadas em entender a dinâmica do nosso trabalho. Isso mostra que estamos no caminho certo e nos traz maior visibilidade. Temos 10 anos de atuação e nossa capacidade é de 100 toneladas por mês, com média de ganho mensal de R$ 1.400,00 por cooperado.”

Para Pierre Conrath, diretor de Relações Externas e Sustentabilidade da Edana, o modelo brasileiro pode servir de referência em países nos quais a coleta seletiva e a reciclagem ainda não estão consolidadas e as atividades dos recicladores ocorrem em condições insalubres e perigosas. “Na Índia e na África do Sul, por exemplo, este poderia ser um formato bem-sucedido, uma vez que agrega valor ao meio ambiente e à sociedade, permitindo a reciclagem de modo inclusivo. Esperamos utilizar os materiais desenvolvidos pelo Cempre nos locais onde buscamos aprimorar a gestão dos resíduos, com novas oportunidades de cooperação.”

 Para saber mais: http://www.edana.org