CEMPRE INFORMA Número 151 Janeiro/Fevereiro

Mercados e Recados

Reciclagem nos Estados Unidos: desafios semelhantes ao Brasil

Estados Unidos: 4o maior país do mundo em área e 3o mais populoso. Brasil: 5o maior país do mundo em área e 5o mais populoso.

Duas nações com dimensões continentais e realidades muito diferentes em seu território, tanto do ponto de vista cultural quanto educacional e econômico. Essa diversidade torna desafiadora a aplicação políticas abrangentes que deem conta das particularidades de seus Estados e regiões.

“No que diz respeito à reciclagem, enfrentamos problemas e desafios muito semelhantes quando se trata de impulsionar os índices de coleta e reaproveitamento dos diferentes tipos de materiais”, comenta o diretor do Cempre, André Vilhena. Dados publicados na edição de dezembro da revista “Resource Recycling” mostram como essa realidade se apresenta hoje nos Estados Unidos, onde a taxa de reciclagem se manteve praticamente estagnada entre 2013 (34,3%) e 2014 (34,6%), segundo estatísticas divulgadas pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) norte-americana. A geração de resíduo ssólidos urbanos somou 258,5 milhões de toneladas em 2014, um aumento de 1,4% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, o volume direcionado à reciclagem e à compostagem (não incluindo a combustão com recuperação de energia) chegou a 89,4 milhões de toneladas, um crescimento de 2,2% frente a 2013. Se isolada, a reciclagem recebeu 66,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, o que representa um índice de 25,6%. Quando analisados por tipo de material, os resultados apresentam uma diferença marcante no comportamento individualizado da reciclagem. Veja, a seguir, os comparativos entre a situação nos Estados Unidos e no Brasil em relação a alguns materiais.

Vidro

As embalagens de vidro tiveram uma redução de 1,5 ponto percentual em sua taxa de reciclagem em relação a 2013, atingindo a marca de 32,5%, em 2014.
Dados de 2011 apontam um índice de reciclagem de 47%, num total de 470 mil toneladas anuais, sendo 40% oriundas da indústria de envase, 40% do mercado difuso, 10% do “canal frio” (bares, restaurantes, hotéis etc.) e 10% de sobras da indústria.

Papel Ondulado

Os índices de reciclagem de papel ondulado estão entre os maiores no relatório de 2014 da EPA, com 89,5% em 2014.

No mesmo ano, o Brasil reciclou 84,7% do volume total de papel ondulado consumido no país, o que corresponde a 4,7 milhões de toneladas.

Latas de aço

As latas de aço têm índice de reciclagem de 70,7%.

No Brasil, em 2015, 46,7% do total das latas de aço consumidas foram recicladas, incluindo 82% de latas de aço para bebidas (latas de duas peças). Cerca de 200 mil toneladas de latas de aço pós-consumo retornaram para o processo de reciclagem no país.

Latas de alumínio

A reciclagem dessas embalagens é de 55,1%.

Em 2015, 97,9% das latas de alumínio disponíveis no mercado brasileiro foram recicladas. Foram 292,5 mil toneladas, o que corresponde a 23,1 bilhões de unidades, ou 63,3 milhões por dia ou 2,6 milhões por hora.

Embalagens PET

Esse segmento teve uma pequena queda (de 0,1 ponto percentual), ficando com uma taxa de reciclagem de 31,2%.

59% das embalagens pós-consumo foram recicladas em 2012, totalizando 331 mil toneladas. As garrafas são recuperadas principalmente através de catadores e cooperativas, além de fábricas e da coleta seletiva operada por municípios. O volume de reciclagem desse material apresenta crescimento consistente: de 1994 a 2002, o percentual de reciclagem subiu de 19% para 35% do total comercializado; de 2003 a 2006, subiu de 43% para 51% e, desde então, a alta anual tem variado de 1,5% a 2%.

Resíduos per capita

Dados de 2012 da EPA indicam que cada morador dos Estados Unidos produz 4,38 libras (cerca de 2 quilos) por dia de resíduos.

No Brasil, segundo o IBGE, cada morador gera cerca de 1quilo por dia de resíduos.

Geração de trabalho e renda

A EPA também divulgou uma atualização para o seu “Relatório de Informações Econômicas da Reciclagem” que descreve o impacto mais amplo dos esforços de recuperação de materiais nos Estados Unidos. O relatório observa que, a partir dos dados mais recentes disponíveis, se verifica que as atividades de reciclagem e reutilização geram 757 mil postos de trabalho, US$ 36,6 bilhões em salários e US$ 6,7 bilhões em receitas fiscais. “A reciclagem não é apenas um trunfo para nossos objetivos ambientais e sociais, mas um impulso para a nossa economia”, destacou Mathy Stanislaus, administrador assistente?da EPA, em um comunicado de imprensa.

No Brasil, a geração de trabalho e renda também é um dos pilares da Política Nacional de Resíduos Sólidos, com ênfase para a inclusão social dos catadores de materiais recicláveis, organizados em cooperativas. O apoio a esses trabalhadores é um dos principais focos do Acordo Setorial para Implantação do Sistema de Logística Reversa de Embalagens, promovido pela Coalizão Embalagens


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