CEMPRE INFORMA Número 138 Novembro/Dezembro

Mercados e Recados

A reciclagem de papel no Brasil

 

A Associação Nacional dos Aparistas de Papel (ANAP) acaba de divulgar seu Relatório Anual 2013-2014 com informações detalhadas sobre o setor. O “Cempre Informa” conversou com Pedro Vilas Bôas, consultor da ANAP e diretor da Anguti Estatística, responsável pelo levantamento dos dados do Relatório. A seguir, os principais trechos da entrevista sobre esse segmento que reúne cerca de 1.000 empresas em todo o país:

 

No Relatório, consta que há 31 tipos de aparas de papel no Brasil, quais são os mais representativos?

As aparas podem ser divididas em quatro grandes grupos: aparas de papel marrom (ondulados e kraft), aparas de papel branco com pasta de alto rendimento (jornal e revista), aparas de papel branco sem pasta mecânica (offset e couché) e aparas de papel-cartão. As aparas de papelão ondulado respondem por cerca de 70% do total comercializado no país.

 

Como está esse mercado?

Em 2013, houve falta de oferta de material. Os preços estavam baixos e os catadores ficaram desestimulados com a atividade. Além disso, eles encontraram emprego na construção civil que estava bastante ativa nos últimos anos. O aumento de preços observado em 2013, aliado ao fim das grandes obras, provocou o retorno dos catadores ao segmento, recompondo a oferta no exato momento em que a demanda enfraquecia, o que levou à queda de preços do material. O ano de 2014 está sendo difícil para os aparistas, principalmente pelo desempenho da economia no segundo trimestre que, em função da Copa do Mundo e do consequente excesso de feriados, registrou redução na demanda, provocando forte queda nos preços.

 

Em 2013, a taxa de recuperação de papéis recicláveis no Brasil foi de 58,9%. O maior índice ficou com os papéis ondulados e kraft: 78,4% de taxa de recuperação

 

Qual é a importância dos catadores para o segmento?

As cooperativas e catadores respondem por cerca de 20% do volume entregue aos aparistas e, se considerarmos que uma das fontes de material dos sucateiros também é o catador, temos que um grande percentual do material coletado vem desses trabalhadores, gerando renda de forma significativa para as camadas mais pobres da população. Em 2011, quando fizemos o primeiro levantamento estatístico, as cooperativas representavam 7% do material coletado pelos aparistas e, em 2013, já tinham dobrado sua participação. Há, porém, espaço para o crescimento que deve ocorrer à medida que as cooperativas se estruturem e se firmem no cenário econômico nacional. Os dados apontam que, somente em 2013, os cooperados e os catadores independentes receberam, aproximadamente, R$ 286,4 milhões de reais pela venda de aparas de papel, quantia três vezes maior do que em 2011, lembrando que o valor das aparas de papel está sujeito a variações fortes de um ano para o outro e que, em 2013, estava apresentando boa cotação.

 

Quais são hoje as maiores dificuldades para o segmento?

Eu diria que o maior problema é a falta de padrão de crescimento do país. Essa oscilação gera momentos de profundo desequilíbrio entre a oferta e a demanda de material, trazendo fortes variações nos preços que são prejudiciais a todos os players da cadeia da reciclagem de papel.

 

Quais as maiores oportunidades que se apresentam para o setor?

A implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, se exitosa, levará à reordenação do segmento de reciclagem no Brasil, não apenas de papel, mas de todos os materiais recicláveis. Se trabalharmos bem, isso poderá ser benéfico para todos. O fator essencial é a desoneração da cadeia. Caso isso aconteça, teremos uma nova e promissora era para a reciclagem de papel.

 

Para saber mais: http:// www.anap.org.br