CEMPRE INFORMA Número 157

Mercados e Recados

Encontro internacional fortalece união dos catadores

De 11 a 14 de novembro, Aline Sousa e Severino Lima Jr. representaram os catadores durante a Assembleia Geral 2018 da Wiego (sigla em inglês de “Mulheres no Emprego Informal: Globalizando e Organizando”, uma rede internacional voltada à melhoria das condições dos trabalhadores na economia informal, especialmente mulheres). 

O evento reuniu 135 participantes de cerca de 40 países – líderes, ativistas, pesquisadores e formuladores de políticas para o setor. O CI conversou com Aline e Severino sobre o encontro:

Como foi a Assembleia Geral da Wiego?

Aline – Durante o encontro, houve prestação de contas e adesão de novos membros, como foi o caso do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e da Rede Lacre que reúne cooperativas e associações de catadores da América Latina e foi representada pelo Severino. Um dos principais temas tratados foi o valor da comunicação. Ou seja, como utilizar os meios virtuais para fortalecer as organizações institucionalmente. Essa troca de experiências auxilia no empoderamento das associações de trabalhadores informais como vendedores ambulantes, empregadas domésticas, artesãos e principalmente os catadores.

Vocês fizeram apresentações no encontro? O que foi abordado?

Aline –Compartilhamos o modelo brasileiro de organização dos catadores, apresentando nosso tipo de contrato, a situação da coleta seletiva no país, o fechamento de lixões e como nos estruturamos.

Severino – O exemplo do fechamento do Lixão da Estrutural, em Brasília, atraiu bastante a atenção. Na África do Sul, há lixões com cerca de 1.000 pessoas trabalhando. Procuramos destacar que não basta encerrar as atividades dos lixões, é preciso ter políticas públicas de inclusão e apoio do governo à implantação da coleta seletiva. Existe por lá uma questão muito complexa em função da inserção dos imigrantes de países como Nigéria e Senegal.

Tendo em vista que queremos nos aproximar do continente africano como um todo, em março de 2019, vamos para o Senegal e o Marrocos. A ideia é, a partir da experiência da Rede Lacre, ajudar na criação de uma Rede Africana de Catadores.

Há um reconhecimento dos benefícios do modelo brasileiro?

Aline – Sim. Fomos bastante questionados sobre o funcionamento das nossas cooperativas, pois os catadores locais ainda estão em processo de organização e enfrentam dificuldades junto ao governo.

Severino – Com certeza. O modelo brasileiro é sempre uma grande referência. A maior mensagem que deixamos foi a importância do empoderamento das lideranças e da criação de uma organização forte. Só assim asseguramos a efetiva inclusão social e econômica dos catadores.

Qual o maior ensinamento que vocês trazem do evento?

Aline – Foi meu primeiro encontro internacional. Voltei com a certeza de que temos que promover a união de todos os setores de trabalhadores informais no Brasil, principalmente pelo momento atual. Precisamos nos fortalecer como movimento social.

Severino – A importância de continuar persistindo, tendo a lei e a educação como principais caminhos. É preciso ampliar a cultura da reciclagem e a conscientização da população para que haja maior reconhecimento do nosso papel.