CEMPRE INFORMA Número 154 Julho/Agosto

Desafios e Oportunidades

Chapecó disponibiliza ecoponto para eletroeletrônicos

Em 2010, o município de Chapecó, em Santa Catarina, deu início à coleta seletiva de resíduos domésticos.

Fotos: Divulgação

O objetivo era a redução da presença de recicláveis em seu aterro sanitário, além do incentivo à formação de associações de catadores. A cidade já dava os primeiros passos na viabilização de seu sistema quando, em agosto daquele mesmo ano, foi sancionada a Política Nacional de Resíduos Sólidos que estabeleceu as diretrizes para o gerenciamento do sistema em todo o país.

Passados cerca de sete anos, os mais de 213 mil habitantes da cidade têm acesso à coleta seletiva que cobre 100% da área urbana e da rural. A retirada dos materiais é feita diariamente no centro, duas ou três vezes por semana nos bairros e quinzenalmente no interior. São recolhidas, assim, aproximadamente 410 toneladas de recicláveis por mês.

“Direcionamos os resíduos para os treze pontos de recebimento (núcleos de associações cadastradas junto à Prefeitura) que fazem a triagem e comercialização dos materiais. No total, 120 famílias estão envolvidas nesse processo que é acompanhado de perto por nossos técnicos”, explica Ivaldo Pizzinatto, responsável pela Secretaria Municipal de Infraestrutura. A Prefeitura oferece recursos financeiros às treze associações, com o pagamento de aluguel e despesas de infraestrutura.

Enquanto estimula continuamente a participação dos munícipes, por meio de campanhas e palestras educativas em escolas e comunidades, a Prefeitura tem como meta retirar as lixeiras localizadas em frente às residências, fazendo com que os moradores levem seus sacos de lixo até contêineres instalados nas ruas para recebimento dos resíduos. O sistema conta com 1.400 contêineres (700 para recicláveis e 700 para orgânicos) e já atende 45% da população. A ideia é simplificar e agilizar a coleta, conduzindo os recicláveis para as associações parceiras e o lixo orgânico para o aterro sanitário terceirizado, no município vizinho de Saudades. Maior engajamento da população.

A cidade conta também com cinco pontos para coleta de óleo de cozinha que é encaminhado para reciclagem. A grande novidade do sistema foi a criação de um ecoponto para recebimento de eletroeletrônicos, em março de 2016. Desde então, 580 itens foram levados ao local, entre televisores, celulares e equipamentos de informática.

“Apesar de, como determina a Política Nacional, não sermos responsáveis pelo recolhimento desse tipo de material, decidimos agir para solucionar o descarte inadequado”, explica o secretário Ivaldo. “O serviço é gratuito, mas, infelizmente, nem todos levam seus equipamentos ao ecoponto. Ou seja, precisamos de maior engajamento da população.” Para isso, são feitas palestras e divulgação constante na mídia local.
Os itens recolhidos são conduzidos para a Reciclagem de Eletrônicos Chapecó (REC), empresa pioneira e referência na região oeste de Santa Catarina. Na REC, os equipamentos são desmontados para retirada de materiais como cobre, metal, alumínio, fios, plástico, vidro e placas, vendidos para mais de dez empresas. “É preciso ampliar a conscientização sobre o descarte impróprio desses materiais que pode gerar problemas sérios relativos à contaminação da água e do solo, à infestação de pragas e insetos, como o mosquito da dengue, além de acidentes”, alerta André Andrelino Corrêa Filho, proprietário da REC.

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