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FICHAS TÉCNICAS

Pneus

O mercado para reciclagem

No Brasil, uma parte dos pneus inservíveis é reaproveitada de diversas formas, depois de ser moída e separada dos demais componentes do pneu, especialmente do aço, que também é reutilizado. Entre os produtos que reutilizam a borracha estão solados de sapato, materiais de vedação, dutos pluviais, pisos para quadras poliesportivas, pisos industriais e tapetes para automóveis. A borracha moída e separada também é misturada ao asfalto para uso em pavimentação, gerando o asfalto borracha, que apresenta importantes vantagens. A maioria é, no entanto, queimada como combustível alternativo nas indústrias de cimento.

Todas estas destinações são aprovadas pelo IBAMA como destinações ambientalmente adequadas. Para que seja ambientalmente correta, a queima do pneu nos fornos das cimenteiras é cercada de todos os cuidados ambientais necessários, com o uso de sistemas especiais de filtração e retenção.

"É muito importante que o consumidor tenha a consciência de não levar pneus velhos pra casa. Sempre que ele comprar um pneu novo, ele deve deixar seu pneu inservível na loja, que tomará as providências necessárias para que o pneu chegue até nosso ponto de coleta. Os pneus inservíveis descartados de forma errada contribuem para entupimentos de redes de águas pluviais e enchentes, poluição de rios e ocupam um enorme volume nos aterros sanitários e podem ainda ser foco para o mosquito da dengue. Se queimados de forma errada, geram poluição atmosférica", diz Mayer.

A trituração dos pneus para obtenção de borracha regenerada, mediante a adição de óleos aromáticos e produtos químicos desvulcanizantes é uma das alternativas para a reciclagem desse material. Com a pasta resultante deste processo, as empresas produzem tapetes de automóveis, mantas para quadras esportivas, pisos industriais e borrachas de vedação, entre outros. No Brasil já há tecnologia em escala industrial que produz borracha regenerada por processo a frio, obtendo um produto reciclado com elasticidade e resistência semelhantes ao do material virgem. Além do processo mecânico, existe uma tecnologia que emprega solventes capazes de separar o tecido e o aço dos pneus, permitindo seu reaproveitamento.

Quanto é reciclado?

A Reciclanip, entidade ligada à ANIP - Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, coletou e destinou de forma ambientalmente correta mais de 183 mil toneladas de pneus inservíveis durante 2014. Esta quantia equivale a 36,6 milhões de unidades de pneus de carros de passeio. Um pneu é considerado inservível quando não há mais condição de ser utilizado para circulação ou reforma.

Desde 1999, quando os fabricantes de pneus iniciaram esse processo, 2,46 milhões de toneladas de pneus inservíveis foram coletados e destinados adequadamente, o equivalente a 492 milhões de pneus de passeio. Desde então, os fabricantes de pneus já investiram US$ 212,30 milhões no programa até junho de 2013.

"A previsão de investimento para 2013 é de R$ 80 milhões, valor superior ao investido no ano passado. Esses recursos são utilizados para os gastos logísticos, que hoje representam mais de 60% dos nossos pagamentos, e também para todos os investimentos de destinações. Temos hoje mais de 800 pontos de coleta e uma média de 60 caminhões transitando diariamente por cerca de 3.500 rotas. Toda essa complexa operação logística é comandada pela Reciclanip, que tem experiência acumulada desde 1999, quando começou a coleta pelos fabricantes", explica Alberto Mayer, presidente do Sistema ANIP, do qual a Reciclanip é parte.

Logística reversa - Os 808 pontos de coleta atuais estão distribuídos em todos os estados e Distrito Federal e foram criados em parceria, em princípio com prefeituras de municípios com mais de 100 mil habitantes ou um consórcio de municípios que possibilite atingir esse número mínimo. As prefeituras cedem os terrenos dentro das normas específicas de segurança e higiene para receber os pneus inservíveis vindos de origens diversas. O responsável pelo Ponto de Coleta comunica à Reciclanip sobre a necessidade de retirada do material quando atinge a quantidade de 2 mil pneus de passeio ou 300 pneus de caminhões. A partir daí, a Reciclanip programa a retirada do material com os transportadores conveniados.

Para saber onde levar pneus inservíveis é só consultar a lista com todos os pontos de coleta que está no site www.reciclanip.com.br.

Em 2014 o índice de reciclagem de pneus no Brasil foi de 85%. Existem cerca de 30 empresas que processam pneus no país inteiro. Em 2013, foram cadastrados 1127 pontos de coleta, sendo que destes 647 estão localizados nos municípios com população acima de cem mil habitantes. A capacidade instalada de reciclagem – em todas as unidades – hoje é de um volume superior a 460 mil toneladas por ano. 

Problemas de logística e de fiscalização diminuem o número de pneus que são dispostos adequadamente, segundo informações da indústria. Segundo dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), o Brasil reciclou cerca de 320 mil toneladas em 2011, ou 1.600.000 unidades. 

Desde o início do Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis (RECICLANIP), em 1999, quando começou a coleta dos pneus inservíveis pelos fabricantes, mais de 1,5 milhão de toneladas de pneus inservíveis, o equivalente a mais de 390 milhões de pneus de passeio, foram coletados e destinados adequadamente. Para atingir esses resultados, a indústria de pneus investiu US$ 160 milhões até o final de 2013.

Valor

Pneus com meia vida ou carcaças passíveis de recauchutagem têm "valor positivo". Pneus não passíveis de recuperação têm "valor negativo": os geradores da sucata normalmente pagam às empresas de limpeza urbana para o recebimento do material

Conhecendo o material

Uma das formas mais usuais de aplicação dos pneus inservíveis é como combustível alternativo para a indústria de cimento (co-processamento), que hoje responde por 64% do total. Os demais 36% reutilizados, após sua trituração, como tapetes de automóveis, mangueiras, solas de sapato, asfalto emborrachado, quadras poli-esportivas, pisos industriais etc. 

O pó gerado na reforma de pneus e os restos de pneus moídos podem ser aplicados na composição de asfalto de maior elasticidade e durabilidade, além de atuarem como elemento aerador de solos compactados, pilhas de composto orgânico e outros artefatos de borracha como, solados, tubos, tapetes, pisos ou combustível – já que o poder calorífico do pneu é maior que do óleo combustível e do carvão. O Brasil produziu 66 milhões de pneus em 2013. Um terço disso é exportado para mais de 85 países e o restante roda nos veículos nacionais. O mercado de reposição representa 45% do total. Apesar do alto índice de reforma no País, que prolonga a vida útil dos pneus (no caso daqueles destinados a caminhões e ônibus o pneumático é reformado mais de duas vezes), parte deles, já desgastada pelo uso, acaba parando nos lixões, na beira de rios e estradas, e até no quintal das casas, onde acumulam água que atrai insetos transmissores de doenças. Os pneus e câmaras de ar consomem cerca de 70% da produção nacional de borracha e sua reciclagem é capaz de devolver ao processo produtivo de terceiros setores (por razões de ordem tecnológica, não retorna para a indústria de pneumáticos) um insumo regenerado por menos da metade do custo que o da borracha natural ou sintética. Além disso, economiza energia e poupa petróleo usado como matéria-prima virgem. 

Os pneus inteiros são reutilizados como proteção em garagens evitando o choque dos veículos, em pistas de corrida como na Fómula 1, drenagem de gases em aterros sanitários, contenção de encostas e produtos artesanais. No Brasil, os pneus usados são reaproveitados como estrutura de recifes artificiais no mar, visando o aumento da produção pesqueira, mas nenhuma dessas alternativas de destinação são reconhecidas pelo Ibama como ambientalmente adequadas. É possível recuperar energia com a queima de pneus velhos em fornos controlados, inteiros ou picotados - cada pneu contém a energia de 9,4 litros de petróleo. No Brasil, a utilização como combustível promoveu no período de 1999 a 2004 a destruição de 150 mil toneladas de pneus, equivalente a 30 milhões de pneus de automóvel usados, proporcionando economia de 720 mil toneladas de óleo. A usina da Petrobras em São Mateus do Sul no Paraná incorpora no processo de extração de xisto betuminoso, pneus moídos que garantem menor viscosidade ao mineral e uma otimização do processo. Sua história

Depois que o norte-americano Charles Goodyear descobriu, no século XIX, o processo de vulcanização, deixando cair borracha e enxofre casualmente no fogão, a demanda por esse produto se multiplicou no mundo. Mais tarde, a Alemanha começou a industrializar borracha sintética a partir do petróleo (temos informações que iniciou-se nos EUA, a partir das dificuldades provocadas pela escassez de Borracha Natural na II Guerra Mundial). A reforma de pneus e posteriormente a recuperação de energia foram as primeiras formas de reciclagem de pneus. Com o avanço tecnológico, surgiram novas aplicações, como a mistura com asfalto, em concentração de 15% a 25%, apontada hoje nos EUA como uma das melhores soluções para o fim dos cemitérios de pneus. E as limitações?

Poluição

A queima de pneus para aquecer caldeiras é regulamentada por Resolução do Conama. Ela determina que a fumaça emanada se enquadre no padrão I da escala de Reingelmann para a totalidade de fumaças. Os principais usuários de pneus em caldeiras são as indústrias de papel e celulose e de produtos alimentícios, e em fornos rotativos são as fábricas de cimento, que podem usar até a carcaça inteira e aproveitam alguns óxidos contidos nos metais dos pneus radiais. A queima a céu aberto, que libera emissões gasosas e gera fumaça negra de forte odor, nas quais estará presente o dióxido de enxofre, é proibida em vários países, inclusive no Brasil. É importante saber...

Redução na Fonte de Geração

Nos últimos 40 anos, a melhoria das técnicas de manufatura, como a radialização e o emprego de malhas metálicas, aumentou em muito a vida útil dos pneus. A reforma de pneumáticos, que no Brasil atinge 70% da frota de transporte de carga e passageiros, e em menor escala no caso dos automóveis, como também acontece na U.E., e EUA é outro importante meio para se reduzir o descarte desses resíduos.

O pneu inservível pode ser reutilizado para:

Laminação

É o aproveitamento do pneu para a confecção de tiras para sofá, solados, tubos, etc.

Asfalto

Em fragmentos ou pó juntamente com o asfalto para o revestimento de ruas e estradas.

Matéria prima para concreto

A borracha picada originaria de pneu inservível é utilizada juntamente com o concreto em substituição a brita, na produção de pré-moldados, blocos, pisos, guias, etc.

Combustível

A borracha picada originaria de pneu inservível ou o pneu inteiro é enviado as cimenteiras licenciadas, pelos órgãos ambientais estaduais, para serem utilizados como combustível alternativo.

A principal característica é o poder calorífico do pneu.

Artefatos de borracha

Através de processos de manufatura, pode ser utilizado em tapetes, rodas maciças, pisos e outros derivados.

Quando você entrega seus pneus inservíveis em um reciclador credenciado, contribui para a melhora de sua saúde e também do meio ambiente, veja como:

Combate a dengue

Os pneus conservados em locais abertos podem servir de grandes criadouros de mosquitos Aedes-Aegypti, transmissores da dengue.

Evita enchentes

Os pneus abandonados perto de córregos e entradas de esgotos podem entupir tubulações e provocar enchentes.

Ajuda a diminuir a poluição

O pneu não é um produto biodegradável e desta forma não pode ser devolvido à natureza. Por isso seu recolhimento e devida reciclagem são fundamentais.

Compostagem

A sucata de pneu não pode ser transformada em adubo. Mas a borracha cortada em pedaços de 5cm pode ajudar na aeração do composto orgânico. Essas partículas devem ser retiradas do adubo antes da comercialização.

Incineração

O pneu pode se transformar em combustível alternativo, com poder calorífico de 12 mil a 16 mil BTUs por quilo, superior ao carvão. Aterro

Dispostas em lixões, aterros, ou outros locais abertos, as carcaças atraem roedores e mosquitos transmissores de doenças. Às vezes, devido a problemas de compactação, pequenos pedaços de pneus aterrados podem voltar à superfície. Algumas cidades proíbem a colocação de pneus usados inteiros em aterros.

O ciclo da reciclagem

Voltando às Origens

Cortados em lascas, os pneus velhos são transformados em pó de borracha, purificado por um sistema de peneiras. O pó é moído até atingir a granulação desejada e, em seguida, pode passar por tratamento químico para possibilitar a desvulcanização da borracha ou somente através de processo mecânico de granulação, peneiras e aspiração que permite um custo bem menor e de menor impacto ambiental que o químico. Em autoclaves giratórios, o material recebe o oxigênio, calor e forte pressão, que provocam o rompimento de sua cadeia molecular. Assim, a borracha é passível de novas formulações. Ela sofre um refino mecânico, ganhando viscosidade, para depois ser prensada. No final do processo, o material ganha a forma de fardos de borracha regenerada. Eles são misturados com outros ingredientes químicos para formar uma massa de borracha que é moldada ao passar por uma calandra e um gabarito. Numa bateria de prensas, a borracha é vulcanizada, formando os produtos finais, como tapetes de carro.