ARTIGOS E PUBLICAÇÕES

FICHAS TÉCNICAS

Latas de Alumínio

O mercado para reciclagem

No ano de 2015, somente a etapa da coleta de latas de alumínio para bebidas (latas usadas) injetou R$ 730 milhões diretamente na economia brasileira. O montante corresponde a remuneração de 1 salário mínimo por mês para a população economicamente ativa de uma cidade com aproximadamente 78 mil pessoas. Caso fosse uma empresa, a coleta de latas estaria entre as 730 maiores do Brasil. Com liga metálica, já específica, grande parte dessa sucata volta em forma de chapas à produção de latas para bebidas ou destinada a outras aplicações, como fundição de autopeças, por exemplo. As latas de alumínio para bebidas merecem destaque na reciclagem, por terem alto consumo e um ciclo de vida muito mais curto que o apresentado por outros produtos de alumínio e de embalagens de outros materiais. A reciclagem da latinha tem levado o Brasil à liderança mundial na atividade por vários anos. Atualmente, em aproximadamente 60 dias, uma latinha de alumínio para bebidas pode ser comprada, utilizada, coletada, reciclada, envasada e voltar às prateleiras para o consumo.

Com os esforços desempenhados pela cadeia de reciclagem - fabricantes de chapas, de latas, envasadores de bebidas, cooperativas e recicladoras - e pelo Governo, por meio da conscientização da população, o programa de reciclagem da lata de alumínio é hoje uma experiência de sucesso com grande influência social, econômica e ambiental. Esse resultado é fruto da conjugação de vários aspectos. O principal deles é o fato do país possuir um mercado de reciclagem já estabelecido em todas as suas regiões. Além disso, a facilidade na coleta, transporte e venda e o alto valor da sucata de alumínio, aliados à grande disponibilidade durante todo o ano, estimularam a reciclagem das latas de alumínio para bebidas, provocando também mudanças no comportamento do consumidor. É notória a importância das latas de alumínio para a atividade reciclagem no Brasil, já que, por reforçar a consciência ecológica da população, acaba por estimular a coleta de outros materiais. Quanto é reciclado?

Em 2015, 97,9% do total das latas de alumínio disponibilizadas no mercado brasileiro foram recicladas. Foram 292,5 mil toneladas, o que corresponde a 23,1 bilhões de unidades, ou 63,3 milhões por dia ou 2,6 milhões por hora.

Índice de Reciclagem das Latas de Alumínio (%)

Fontes:
ABAL; Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade; The Japan Aluminum Can Recycling Association;
Cámara Argentina de la Industria del Aluminio y Metales Afines; The Aluminum Association; EAA - European Aluminium Association. Valor

A lata de alumínio é o material reciclável com maior valor. O preço pago por uma tonelada é, em média, de R$ 3.000 (base novembro/2011) - um quilo equivale a 74 latinhas. (não temos informação de preço; sobre a redução na conta de luz, imaginamos que é uma iniciativa de alguns locais e não nacional)

Conhecendo o material

Um kilo de latas equivale a 74latinhas Cada brasileiro consome em média 117 latas de alumínio para bebidas por ano, volume bem inferior ao norte-americano, que é de 375. Além de reduzir o lixo que vai para os aterros a reciclagem desse material proporciona significativo ganho energético. O processo de reciclagem do alumínio consome apenas 5% da energia elétrica necessária para produzir a mesma quantidade de alumínio pelo processo primário.. Assim, a reciclagem evita a extração da bauxita, o minério beneficiado para a fabricação da alumina, que é transformada em alumínio.

Qual o peso desses resíduos no lixo?

No Brasil, a lata de alumínio corresponde a 1% na coleta seletiva municipal segundo a pesquisa Ciclosoft 2012. Boa parte delas é coletada antes por catadores autônomos. (Aline, o resultado da Ciclosoft fala em materiais recicláveis e não embalagens recicláveis. Então, os 3% indicados na última pesquisa de 2016 refere-se ao metal alumínio encontrada em suas várias formas e não só na forma de latas)

Sua história

As latas de alumínio surgiram no mercado norte-americano em 1963. Mas os programas de reciclagem começaram em 1968 nos Estados Unidos, fazendo retornar à produção meia tonelada de alumínio por ano. Quinze anos depois, esse mesmo volume era reciclado por dia. Os avanços tecnológicos ajudaram a desenvolver o mercado: há 25 anos, com um quilo de alumínio reciclado era possível fazer 42 latas de 350 ml. Hoje, a indústria consegue produzir 74 latas com a mesma quantidade de material, aumentando a produtividade em 51%.

Desde que começou a ser produzida no Brasil, há mais de 20 anos, a lata de alumínio para bebidas sempre esteve vinculada a programas de reciclagem. O objetivo da indústria sempre foi o de garantir o retorno da matéria-prima ao ciclo produtivo e, ao mesmo tempo, de proporcionar benefícios ambientais, sociais e econômicos. Surgia ali um modelo inicial de logística reversa, o mesmo hoje previsto na atual Política Nacional de Resíduos Sólidos para todos os materiais.

Embalagem que serviu de modelo para o sistema de logística reversa que está sendo implementado no país, as latas de alumínio para bebidas merecem destaque no cenário da reciclagem, por terem um ciclo de vida de curta duração.

O ciclo de vida da lata de alumínio para bebidas começa na produção e posterior venda ao consumidor e recomeça na reciclagem do metal.

A principal porta de entrada das embalagens na indústria de reciclagem de alumínio são os Centros de Coleta. Atualmente são 33 unidades distribuídas de norte a sul do país.

Nos centros de coleta, as latas passam por um processo de separação de resíduos e sujidades. Depois de limpas, são prensadas em fardos padronizados. Uma vez compactadas, seguem para as indústrias de reciclagem. A cidade de Pindamonhangaba (interior de SP) é considerada a capital nacional da reciclagem de alumínio, pois lá estão sediadas as duas maiores recicladoras de latas de alumínio do Brasil. A maior parte das latas recebidas e processadas pelos centros de coleta são encaminhadas para as indústrias recicladoras naquela cidade.

E as limitações ?

Contaminação

As latas misturadas com o restante do lixo podem estar contaminadas com matéria orgânica, excesso de umidade, plástico, vidro, areia e outros metais, dificultando sua recuperação para usos mais nobres. As tintas da estamparia da embalagem são destruídas nos fornos de fundição durante o reprocessamento do alumínio e por isso não atrapalham sua reciclagem.

Rígidas Especificações de Matéria-prima

A sucata não pode conter ferro. O teste do ímã é a melhor técnica para certificar a ausência desse material. Também é possível fazer a identificação e a seleção mais segura por meio de parâmetros como cores, peso e testes químicos. Não é necessário separar os materiais por tamanho ou retirar a tampa, como ocorre em outras embalagens. Antes mesmo dos fardos serem descarregados nas recicladoras, os veículos que transportam a sucata passam por um detector de radioatividade. Se aprovados, os fardos são desmanchados e picotados. Em seguida, as etapas de separação eletromagnética e por diferença de densidade eliminam todos os componentes que não forem alumínio. É importante saber... Redução na Fonte de Geração As latas de alumínio são recipientes de pouco peso. Nos últimos 20 anos, a espessura dos recipientes de alumínio diminuiu cerca de 30%. (não temos esta informação) Compostagem

O material não é compostável. Por isso, deve ser retirado por processos manuais ou mecânicos do lixo encaminhado para compostagem.

Incineração

O alumínio se funde a 650° C. De acordo com a temperatura, sua queima pode gerar compostos orgânicos voláteis provenientes de tintas ou vernizes e material particulado, ou transformar o material em liga ou óxido de alumínio.

Aterro

As embalagens de alumínio podem apresentar oxidação nos aterros.

O ciclo da reciclagem

Voltando às Origens

O material pode ser reciclado infinitas vezes sem perda de nenhuma de suas características. Depois do consumo, a lata é coletada para reciclagem. Fazem parte dessa etapa, cooperativas e catadores autônomos de materiais recicláveis, sucateiros de pequeno e grande porte, além de outros intermediários, que recolhem as embalagens em postos de coleta, condomínios públicos e privados, além de pontos comerciais em geral.

Na forma de fardos, a sucata chega aos recicladores. Antes da etapa de fundição, essa matéria-prima passa por um forno a 550º C que retira tintas, vernizes e óleos dos fragmentos da sucata. Só então o material é fundido à 650º C e despejado em lingoteiras para solidificação ou em panelas para transporte em estado líquido. Nessa etapa, é feita a adição de sobras de alumínio provenientes dos processos industriais de fabricação da chapa e das latas, bem como de alumínio primário para correção da liga. Em seguida esse alumínio fundido é transformado em placas, que serão laminadas em chapas, bobinadas e transportadas para as empresas fabricantes de latas de alumínio para bebidas.